A Espanha reinou como a melhor seleção do mundo no início da década. Ganhou a Eurocopa em 2008, conquistou a Copa do Mundo de 2010 pela primeira vez em sua história e confirmou o poder de sua ótima geração com o bicampeonato da maior competição europeia em 2012. Mas a boa fase passou. Iniesta, Xavi, David Villa, Xabi Alonso e companhia envelheceram e deixaram a Fúria, que agora passa por reformulação.

E é bom ficar de olho na jovem equipe espanhola na Liga das Nações. No mesmo grupo da Alemanha no torneio, a Espanha chega para as duas últimas rodadas da chave 4 na liderança, com sete pontos, mesmo sem ser a favorita. Se vencer o duelo contra a Suíça, pode empatar com os alemães (hoje com seis pontos) no encerramento da primeira fase que se garante na semifinal -- na Liga das Nações, apenas o líder de cada grupo se classifica.

Ainda que seja considerada a segunda seleção da chave, a Espanha vem correspondendo em campo. E aí há também méritos de Luis Enrique, que promove entradas de jovens com coragem e ousadia neste início de ciclo até a Copa do Mundo do Qatar, em 2022, e prova que a renovação acontece no momento certo. Afinal, se os garotos já vêm chamando a atenção em grandes clubes europeus, por que não assumirem as responsabilidades na seleção?

Ansu Fati personifica renovação espanhola

Se o assunto é a reformulação na Espanha, um nome vem logo à mente: o de Ansu Fati. A joia do Barcelona, que acabou de completar 18 anos, já figura entre os titulares do clube catalão e ganha cada vez mais espaço com Luis Enrique. Fati, por sinal, é a grande esperança da equipe para a era pós-Messi, que se aproxima.

Nascido em Guiné-Bissau em outubro de 2002, Ansu Fati imigrou com a família para a região de Sevilha quando tinha seis anos. Conheceu e passou a integrar as categorias de base do Barça aos 10, e desde então nunca mais saiu de lá. Subiu ao profissional com 16 anos e bateu diversos recordes pela pouca idade.

Tornou-se o mais jovem a marcar um gol pelo Barcelona no Campeonato Espanhol; o mais jovem titular em uma partida no Camp Nou; o mais jovem a fazer um gol na Champions; o mais jovem a balançar as redes no clássico Barcelona o Real Madrid; e, entre outras marcas, o mais jovem fazer um gol pela seleção espanhola (17 anos e 311 dias).

Leve e rápido nos dribles, Fati é uma opção pela ponta esquerda, mas também cai bem por dentro e faz gols. Ao marcar seu primeiro pela Fúria na partida contra a Ucrânia nesta Liga das Nações, inclusive, o garoto chamou a atenção e surpreendeu até mesmo o técnico da seleção -- que já o conhecia bem da época de Barcelona.

"Embora eu o conheça bem [Fati], e o que ele é capaz, não posso dizer que não esteja surpreso", disse Luis Enrique após o jogo em que Fati bateu o recorde como mais jovem a balançar as redes pela Espanha.

"Ele mostrou tanta coragem e ousadia para fazer o que fez, vencendo um jogador com tanta naturalidade. Não me lembro de ele ter feito algo assim antes", acrescentou o treinador.

Trio jovem do City também ganha espaço

Eric García, 19 anos, Rodri, 24, e Ferran Torres, 20, são outros jovens cada vez mais integrados à seleção espanhola de Luis Enrique. E o trio não é parte da renovação à toa. Primeiro porque aprendem bastante com Pep Guardiola no Manchester City, que usa modelo tático semelhante ao utilizado pela Fúria. Segundo porque são jogadores modernos e conseguem, de certa forma, dar sequência ao sistema desenvolvido pelos espanhóis e que resultou em três títulos importantes em quatro anos.

García é o típico zagueiro do futebol atual. Rápido, de bom passe e que constrói o jogo desde lá de trás. Mais para frente, no meio de campo, Rodri aparece para contribuir na criação. E Ferran Torres, por sua vez, é uma opção mais aguda pelas pontas -- no City, tem jogado com frequência e se destacado com gols e assistências ao lado de Gabriel Jesus ou Sergio Agüero.

Adama Traoré agrega na força física

Conhecida por ser uma seleção leve e de jogadores historicamente baixos, a Espanha tem até a opção de mexer na característica em campo, quando necessário, por ter, na nova geração, Adama Traoré. O atacante do Wolverhampton de 24 anos é bem forte, lembra o porte físico de Lukaku e vem ganhando oportunidades na Liga das Nações. A imprensa espanhola destacou bastante a sua presença na equipe.

Outros nomes da renovação espanhola

A garotada é ainda mais presente nas convocações da Fúria, como poderá ser visto nos confrontos contra Suíça (neste sábado, 14) e Alemanha, na próxima terça-feira (17). Sergio Reguilón, de 23 anos, é o nome para destronar Jordi Alba, já em reta final da carreira. Dani Olmo, com 22, é um dos principais nomes do bom time do RB Leipzig, semifinalista da última Liga dos Campeões.

Outro meia mais avançado e abaixado dos 25 anos é Mikel Oyarzabal. O atleta vem sendo um dos melhores da Real Sociedad, destaque no início do Campeonato Espanhol 2020/21 e já guardou um na Liga das Nações.

Soma-se aos garotos, é claro, nomes importantes e experientes, até para equilibrar a equipe e elevar o potencial dos novos talentos. De Gea, Sergio Ramos, Jesús Navas, Carvajal e Sergio Busquets formam a ‘coluna vertebral’ da seleção neste momento de mudança.

Ainda que não dê para cravar se a geração é capaz de brilhar já na Copa de 2022, a seleção espanhola de Luis Enrique não espera, nem fica presa ao passado vitorioso e histórico do time comandado por Xavi e Iniesta. 

O treinador, que aparentemente não se importa com a idade, mas sim com a fase dos jogadores, vai lidando bem com um dos processos mais complicados do futebol: substituir um time tão impactante e marcante para um país. Qual sua opinião? Fique de olho no futuro da seleção espanhola e não deixe de fazer suas bets na Liga das Nações.