Demorou, mas ela está de volta. Depois de cinco meses de paralisação, a Copa Libertadores retorna nesta terça-feira com partidas da terceira rodada da fase de grupos. Santos e Athletico Paranaense são os primeiros brasileiros a entrarem em campo nesta noite, contra Olímpia e Jorge Wilstermann, respectivamente, e testarão um novo formato do torneio: o sem torcida.

Ainda que a ausência dos torcedores nos estádios tenha se tornado algo mais comum nos últimos meses de futebol em todo o mundo, a maior competição de clubes da América do Sul traz certa expectativa para este assunto por ser, especialmente, conhecida por ter jogos quentes e torcidas que pulsam - e são verdadeiras armas para os mandantes.

O fato de não ter público nos estádios, no entanto, pode ser bom para os brasileiros. Principalmente para os clubes que gostam de jogar bola e têm estilo de jogo ofensivo. Neste caso, Flamengo e São Paulo podem se beneficiar deste novo momento do torneio (entenda melhor mais abaixo).

A título de comparação, a Betway fez um levantamento das primeiras oito rodadas do Campeonato Brasileiro para entender a força que os visitantes podem ter em confrontos sem torcida no Brasil. Em 74 partidas realizadas até o término da rodada oito, foram 19 vitórias dos visitantes (25%), contra 30 triunfos dos donos da casa (40%) e 25 empates (35%).

Talvez o número que mais chame a atenção nessas primeiras partidas são os placares iguais. A porcentagem de certa forma indica certo poder das equipes que estão jogando longe de casa e que conseguem ou segurar a pressão adversária, ou partir para o ataque e arrancar gols nos minutos finais. 

Fato é que a torcida influencia no duelo em campo. Empurra o time com força para o ataque, pressiona e intimida o adversário e dá o termômetro do estádio sempre que presente. Ainda mais em uma competição tão marcada por fortes torcidas como a Libertadores.

Abaixo, veja quem deve se beneficiar mais e quem pode se prejudicar pela ausência de público nos jogos da Libertadores.

Flamengo pode ficar à vontade em campo

Dono do melhor futebol no Brasil em 2019 e campeão da Libertadores, o Flamengo vive fase de transição depois da saída de Jorge Jesus e vai, aos poucos, encontrando uma nova cara com Domènec Torrent. Nas últimas rodadas do Brasileirão, o treinador tem conseguido dar sequência ao time que considera ideal e alcança bons resultados. 

Fatalmente o time brigará novamente pelo troféu do campeonato nacional. Na Libertadores sem torcida, ainda que não tenha o Maracanã lotado para empurrar qualquer um que entrasse lá, o Rubro-negro deve ficar mais à vontade quando for visitante. Sem as incômodas torcidas de Junior Barranquilla e Barcelona-EQU, por exemplo, o clube deverá ter mais calma para impor o mesmo futebol que se vê no Rio de Janeiro fora do país. 

São Paulo visita River no Monumental em silêncio

Com bons desempenhos desde que começou o Brasileiro, o São Paulo parece ter superado o trauma da eliminação vexatória no Paulistão. Agora, o time consegue ter melhor atuação defensiva e vence partidas com a boa presença ofensiva, marca dos trabalhos de Fernando Diniz. Com Diego Costa e Léo Pelé formando a dupla de zaga e garotos como Paulinho Bóia, Toró e Igor Gomes mais à frente, o time certamente terá mais tranquilidade quando for visitar o poderoso River Plate de Gallardo. Ao menos para o jogo complicado na Argentina não haverá a forte torcida argentina no Monumental para intimidar os jovens. 

Santos enfrentará pressão paraguaia numa boa?

Um dos maiores do Paraguai, o Olímpia costuma dificultar a vida dos brasileiros que vão até o país vizinho. Em um estádio pequeno e com torcida pressionando bastante, o time consegue bons resultados e impõe sua tradição na Libertadores. Desta vez, no entanto, Cuca e sua equipe terão mais conforto para jogar. Pode ter sucesso por meio do bom momento e das grandes atuações de Marinho e Soteldo. 

Boca Juniors perde força sem Bombonera

Impossível falar de Libertadores e não pensar em La Bombonera. É o maior caldeirão da competição e o Boca Juniors é considerado por muitos o time de melhor torcida na América do Sul. Só que ela não irá tremer nesta reta final de fase de grupos, muito menos caso o Boca confirme o favoritismo no seu grupo e avance para as oitavas de final. Os brasileiros, se cruzarem o caminho do clube argentino no mata-mata, certamente sairão em vantagem para jogar como visitante. Será interessante ver a postura da equipe de Tevez, sem o apoio da apaixonada e maluca torcida. 

Brasileiros também pode se prejudicar

A ausência de público também tira, claro, a força dos clubes brasileiros. Inter e Grêmio, que dividem o mesmo grupo, colocarão suas arenas à prova diante do novo cenário da Libertadores. 

O Palmeiras de Vanderlei Luxemburgo, que vê por vezes o Allianz Parque virar um caldeirão na competição continental, vai ter de lidar com o estádio vazio. Os rivais Santos, com a Vila Belmiro, e o São Paulo, no Morumbi, que costumam ver as torcidas empolgarem quando o assunto é Libertadores, também têm certo prejuízo.

O Athletico Paranaense, por sua vez, costuma ter números bem melhores quando joga em casa e deve ser o mais prejudicado neste sentido. Vivendo uma fase ruim no Brasileirão, entre os times da parte de baixo da tabela, o time não contará com o elemento surpresa que é a Arena da Baixada para qualquer time que pisa lá. 

É um novo e curioso momento para a Libertadores, mundialmente conhecida por torcidas apaixonadas e que não param. Há a curiosidade para ver como as equipes se comportarão sem a força de seus torcedores a partir desta terça-feira e se a ausência de público pode influenciar na briga pelo título. Pelo histórico da competição, e a relação dos clubes sul-americanos com seus fãs, os duelos daqui para frente serão no mínimo interessantes.

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