Ronaldinho Gaúcho é um dos maiores jogadores que o futebol brasileiro já produziu, e não é fácil estar nesse seleto grupo do país que mais revelou craques na história do esporte mais popular do mundo.

Legítimo atleta brasileiro, que mesclava dribles com improvisos e alegria em campo, R10 viveu o auge com a camisa do Barcelona, clube em que foi diretamente responsável por uma transformação no início do século.

Como ele conseguiu a façanha de mexer com a estrutura de um gigante europeu, dentro e fora de campo? O talento genuíno serve como resposta simplista, mas há um grande contexto por trás.

Quando Ronaldinho foi contratado por pouco mais de 32 milhões de euros, em 2003, o Barça vivia uma fase terrível: talvez só não pior do que a atual, impulsionada pela saída de Messi e uma crise financeira profunda que cresceu exponencialmente na pandemia. A situação atual é delicada, mas a crise ainda é recente.

No começo do século XXI, o Barcelona não sabia como se reinventar e voltar a ser um dos principais times da Europa. Para piorar o problema, o contexto dentro da Espanha e em La Liga era trágico: o Real Madrid, galáctico e grande sensação do futebol mundial, era quem atraía as atenções de fãs de todos os continentes e tinha maior êxito esportivo.

Antes de Ronaldinho, Barça vivia jejum no Espanhol

A situação do Barcelona antes da chegada de Ronaldinho era complicada. Sem vencer em La Liga desde 1999, o clube não sabia mais como fazer frente ao Real Madrid e outras boas equipes espanholas do momento: o Deportivo La Coruña, que contava com o brasileiro Djalminha, e o Valencia aproveitaram a má fase do principal time da Catalunha e venceram o Campeonato Espanhol entre 1999 e 2003, quando Ronaldinho ainda não havia desembarcado de Paris.

Mas, antes da chegada do craque brasileiro, o Barça ‘flertou’ com David Beckham. Na verdade, nunca houve sequer uma proposta pelo astro e popstar inglês, que serviu mais como ‘arma’ política para Joan Laporta.

Então presidente do Barcelona em 2003, Laporta anunciou à imprensa em junho de 2003 que havia um acordo da sua diretoria para a contratação do meio-campista do Manchester United naquela janela de transferências de verão. Ele venceu a eleição após a declaração, como tinha por objetivo quando abriu a notícia para a imprensa, mas na verdade Beckham nunca se aproximou, de fato, da Catalunha.

O camisa 23 tinha um acordo selado com o Real Madrid há muito tempo, na ocasião, e este foi o seu destino na Espanha. Quando Laporta declarou que Beckham seria jogador do Barça, o Real preferiu o silêncio e esperou para agir na hora certa no mercado.

Estrategicamente, Laporta estava reeleito, deu certo. Coincidentemente ou não, ele acabou tomando uma das decisões mais acertadas da história do Barcelona: sem Beckham, que havia ido para o rival, já recheado de craques (Ronaldo Fenômeno, Zidane, Figo e Roberto Carlos eram alguns deles), o clube tinha caminho livre para investir em outro craque, que renderia muito mais frutos ao time: Ronaldinho Gaúcho.

Ronaldinho Gaúcho: magia, títulos e Barça em destaque

Parece complicado imaginar, até pelo tamanho da camisa do Barcelona, mas o clube não tinha rumo e de repente era destaque no Campeonato Espanhol, Champions League e em todo o noticiário mundial simplesmente por causa de um jogador.

Claro que Ronaldinho Gaúcho não jogava sozinho, mas o brasileiro era tão mágico, habilidoso e carismático, que o time passou a agir e atuar para que ele tivesse a bola o maior número de vezes possível. Para que o meia-atacante não participasse tanto da marcação e ficasse livre para explodir e driblar uma defesa inteira como se fosse um adulto jogando contra uma criança.

Quando chegou, R10 levou alguns meses para se adaptar e foi atrapalhado por lesões. No início de 2004, com o clube na 12ª colocação do Campeonato Espanhol e Frank Rijkaard correndo sérios riscos de sair do comando técnico, começou a magia do Gaúcho.

A chegada de Edgar Davids, que protegeu e sustentou melhor a zaga, ajudou, mas a virada do time, que perdeu somente dois dos últimos 20 jogos e terminou em segundo lugar naquela edição de La Liga, tinha um responsável: R10. Foram 22 gols e 14 assistências do Gaúcho.

Na temporada seguinte, sem que o Barça passasse por um início ruim, Ronaldinho fez uma importante dupla com Samuel Eto’o, registrou mais 13 gols e 20 assistências e tirou o clube da fila: os catalães foram campeões espanhóis em 2004/2005.

Embalado por atuações de classe, o brasileiro ainda foi o protagonista do título da Champions League em 2005/2006. Ele ainda venceria outro Espanhol e duas vezes a Supercopa da Espanha. Pronto. Com orçamento menor, o Barça se equiparou ao Galáctico Real Madrid e se tornou ainda mais popular do que o rival mundialmente.

Genialidade de R10 encantou até o Bernabéu

Mais do que colocar o Barça de volta ao trilho dos títulos importantes, Ronaldinho sabia mexer com a torcida no Camp Nou. Os gestos, movimentos, truques, dribles, danças, todo o ‘pacote magia’ levantava a torcida do Barcelona. Mais do que isso: ele fez com que a marca rodasse o mundo. Todo mundo queria ver o Barça de Ronaldinho porque ele encantava.

O episódio mais marcante foi um triunfo por 3 a 0 diante do Real Madrid, em pleno Santiago Bernabéu. Já como melhor jogador do mundo, comandou a vitória elástica com dois golaços em 19 de novembro de 2005 e recebeu o reconhecimento dos fãs do grande rival: os torcedores do Real se levantaram para aplaudir o brasileiro durante e depois do confronto. Nem mesmo Messi passou por algo parecido com a camisa 10 azul-grená.

“Nunca havia visto nada igual antes do Ronaldinho. Essa sensação de superioridade no jogo físico, na técnica. Esse garoto foi parte importantíssima para mudar o astral de uma equipe que andava triste”, disse Guardiola, em 2010, analisando a passagem de R10 pela Espanha.

Iniesta, que aproveitou o sucesso trazido pelo craque brasileiro e fez parte de um dos melhores times de todos os tempos do futebol (justamente o Barça de Guardiola, já sem Ronaldinho, mas com Messi, Xavi e o camisa 8), não esconde a admiração por tudo o que Ronaldinho fez no clube.

“A chegada de Ronaldinho mudou um pouco os rumos que o clube vinha tomando. A partir disso, muitas coisas positivas aconteceram. Um ou outro ano difícil, mas acredito que a arrancada do Barça começou ali”, afirmou o meia, em 2017.

“Ele nos contagiou com a alegria, com seu otimismo na forma de ser e na forma de jogar. Era um jogador único e especial que contagiou todos os jogadores e também todos os torcedores”, completou Iniesta.

De fato, Ronaldinho Gaúcho não teve uma carreira de recordes e tanto tempo de auge como Messi e outras lendas, como Cristiano Ronaldo, Zidane e Ronaldo. Mas a genialidade em campo e o carisma jamais visto em outro craque desse porte fizeram com que o Gaúcho transformasse o Barcelona para melhor.

Depois dele e da revolução, o clube partiu para uma das eras mais vitoriosas de sua história, com Messi no comando de ataque. Aliás, o Barça do técnico Guardiola, em 2009 e 2010, está para sempre como um dos maiores times que o futebol mundial já pôde desfrutar. Ele só existiu porque Ronaldinho Gaúcho construiu a estrutura para isso.

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