O Meu Timão tem 7 milhões de seguidores, juntando todas as redes sociais e o canal de Youtube. São quase 30 pessoas trabalhando para o portal. Na plataforma de vídeos, quatro programas diários ao vivo, sem falar nas lives pré e pós-jogo, com entrevistas, imagens da torcida, ambiente no estádio, etc. Em 2021, foram quase um bilhão de visualizações no Youtube: “Esse ano, o nosso objetivo é passar do bilhão”, diz Rodrigo Vessoni, repórter especial do Meu Timão. Jornalista com mais de 10 anos no diário Lance!, ele não tem dúvida de que o jornalismo esportivo brasileiro vive um momento diferente, e que trata-se de um caminho sem volta: “O torcedor também mudou seu perfil. Nas TV’s tradicionais, os programas falam de 10 ou 12 times. Mas muitos querem notícias apenas do seu clube. Sem falar que os jornalistas dessas mídias segmentadas estão muito mais presentes no dia-a-dia do clube, estando assim mais informados”.

O Pod Porco é feito por a para palmeirenses. Já sentaram na bancada do podcast nomes importantes da história recente do clube como Fernando Prass, Marcos Assunção e Kléber Gladiador. Personalidades e jornalistas que torcem para o time, como Soninha Francine, Mauro Beting, Gian Oddi e Gustavo (ex-BBB) também também já deram o ar da graça. Hoje, são mais de 50 mil inscritos no canal de Youtube, e outros 50 mil no canal de cortes: “As pessoas estão cansadas das mídias tradicionais, principalmente porque tem gente que usa o microfone para ser clubista, mas não divulga o seu time de coração”. Palavras de Gabriel Amorim, jornalista, idealizador, criador a apresentador do Pod Porco.

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E os exemplos de jornalistas que seguem esse caminho não para de crescer. Mauro Cezar Pereira e Jorge Nicola saíram da ESPN porque a emissora não permitia que eles continuassem produzindo vídeos em outras plataformas. Juntos, eles têm quase 2 milhões de inscritos no canal de Youtube. Arnaldo Ribeiro e Eduardo Tironi também investiram no Youtube depois da saída da ESPN. O canal da dupla já tem mais de 225 mil seguidores. Renato Maurício Prado e Carlos Cereto, ambos ex-Globo, são outros jornalistas renomados que colocaram todos os esforços na plataforma de vídeos.

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Mas o maior exemplo dessa tendência é André Hernan. Era um dos principais repórteres de transmissão da Globo/Sportv. Ganhou fama por ter ótimas fontes, invariavelmente dando notícias de transferências antes de todo mundo. Depois de 18 anos de casa, saiu para também se dedicar ao Youtube.

Mas não é tão simples quanto parece. Não é raro esses jornalistas terem de enfrentar a ira dos “haters” nas redes sociais: “No começo eu lidava muito mal com xingamentos e ameaças. Hoje, eu não ligo. Percebei que não vale a pena, e se eles param para escrever uma mensagem para mim, significa que ao menos acompanham alguma coisa do meu trabalho”, diz Gabriel Amorim, que mesmo escrevendo e falando sobre o poderoso Palmeiras, time favorito nos sites de esportes bets em todos os torneios que entra, enfrenta quase que diariamente esse tipo de ataque.

Problemas a parte, as vantagens são muitas. Liberdade para produzir e falar o que quiser, pelo tempo que quiser, sem se prender às amarras dos meios de comunicação tradicionais. Uma tendência recente, mas que parece que veio para ficar.