Telê Santana está na seleta e restrita lista de técnicos geniais que o futebol brasileiro já teve. Se no quesito jogador o país é o maior produtor de todos os tempos, na parte do treinador o Brasil fica para trás de outros sul-americanos e europeus, historicamente. Mas o ídolo são-paulino -- talvez o maior da história do clube -- fez coisas mágicas do banco de reservas.

Ao longo de seis anos no comando da equipe do Morumbi na década de 1990, Telê encheu a sala de troféus e deixou um legado. É verdade que tudo o que ele proporcionou para o futuro do clube tricolor, de estrutura e padrão de jogo, não seria possível sem os dez títulos conquistados entre 1990 e 1996 -- entre os troféus, estão dois Mundiais de Clubes e duas Copas Libertadores.

Telê era tão bom que era capaz de transformar os jogadores fora de campo, dando conselhos e ensinamentos sobre vida pessoal, influenciar na estrutura do clube e instruir quem estava ao seu redor e ele entendia que era capaz de se desenvolver como treinador. Tudo isso, claro, era feito enquanto o time voava em campo por pelo menos três anos seguidos.

O caso mais emblemático de Telê como orientador é o de Muricy Ramalho, discípulo do grande ‘mestre’ Telê. O principal técnico brasileiro na primeira década do século aprendeu o que sabe de futebol com o histórico ídolo do São Paulo. Por coincidência, Muricy ganhou muitos títulos no Morumbi, também virando uma lenda entre a torcida tricolor.

“Eu penso no Telê quase toda hora. Não precisa ser no dia 21 de abril [data de seu falecimento, em 2006]. Eu convivi muito tempo com ele. E infelizmente ele não me viu pronto para ser treinador, quando comecei a ganhar títulos”, disse Muricy, em um especial produzido pelo São Paulo sobre o técnico do bi mundial.

“O maior legado dele, a marca que ele deixou, foram os valores. Não suportava quando um jogador dele desse um carrinho no adversário. Ele ficava enlouquecido. Chamava o jogador, brigava com o jogador, achava que o cara estava agredindo o companheiro de profissão. Não era justo dar um pontapé no adversário”, completou o ex-treinador, que hoje atua em cargo administrativo no São Paulo, sobre seu ‘guru’ de profissão.

Telê era consagrado, mas começo no SPFC foi duro

O contexto da chegada de Telê Santana ao São Paulo era péssimo: o clube havia demitido o uruguaio Pablo Forlán do cargo, e o Tricolor ocupava o meio de tabela no Brasileirão. Em crise, e sob pressão, a equipe paulista por muito pouco não viveu a maior experiência de um técnico no banco de reservas do Morumbi.

Telê Santana vinha de trabalhos ruins no Flamengo e no Palmeiras e relutou muito para aceitar o convite do São Paulo. Carlos Caboclo, então diretor de marketing do clube, insistiu muito para que ele aceitasse, conforme já admitiu o filho (Renê Santana) do mestre Telê em algumas entrevistas.

Àquela altura da carreira, em outubro de 1990, Telê já tinha vencido o Brasileirão com o Atlético-MG (1971) e diversos estaduais pelo país. Além disso, ele havia comandado a seleção brasileira em duas Copas do Mundo (1982 e 1986), mas precisava conviver com a fama de azarado.

Em 1982, o Brasil perdeu para a Itália na segunda fase, e foi eliminado, mas encantou o mundo como um dos melhores times da história do futebol. Mesmo sem o título, aquela equipe canarinha é referência tática e técnica até os dias atuais.

Passagem ameaçada e Brasileirão “salvador”

Telê chegou com a missão de melhorar o desempenho do time -- ele já tinha treinado o São Paulo em 1973, mas foi uma passagem discreta e rápida. E ele conseguiu o êxito desta vez, comandando a equipe na classificação para o mata-mata e em seguida para a decisão do Campeonato Brasileiro.

O problema foi a fama de azarado assombrando novamente o treinador, após a derrota para o Corinthians na final. De quebra, foi o primeiro título nacional do rival do Parque São Jorge.

Naquele momento, Telê entregou o cargo ainda no banco de reservas da decisão, vencida por 1 a 0 pelo Timão. O diretor de futebol da época, Fernando Casal de Rey, conta que ninguém acreditou naquele ato, e que houve muito esforço do São Paulo para mantê-lo.

Os dirigentes tiveram de preparar uma comitiva para Minas Gerais, às vésperas do Natal de 1990, para convencer Telê de seguir no Morumbi. O técnico topou.

Bicampeão do mundo: SPFC de Telê se tornou imbatível

O São Paulo tinha Raí desde 1987 no elenco, mas o jogador nunca rendeu o que poderia antes da chegada de Telê Santana. Essa foi uma das mudanças significativas do treinador, que transformou o Tricolor em bicampeão da Libertadores e do Mundial, em 1992 e 1993, com uma obediência tática absurda e um padrão de jogo ofensivo elogiado até por gigantes europeus.

Só em 1991, quando virou protagonista, de fato, do meio-campo, Raí fez 31 gols -- mais do que tudo que havia feito entre as temporadas 1987 e 1990. Ele ainda se tornou o capitão, e foi o responsável por levantar as taças do Paulistão e do Campeonato Brasileiro naquele ano.

O craque seguiu protagonista com gols e passes e ergueu simplesmente os troféus da Libertadores e do Mundial em 1992, quando o Tricolor ganhou destaque por todo o planeta. Repetindo o feito na temporada seguinte, mas com Raí permanecendo somente até a conquista sul-americana (ele foi vendido ao PSG no meio de 1993), o São Paulo ganhou o status de imbatível.

“Os bicampeonatos da Taça Libertadores da América e do Mundial Interclubes elevaram o nome do São Paulo a um patamar nunca atingido. Eterno ídolo da torcida, que até hoje canta seu nome nos jogos do time, sua marca registrada era a disciplina imposta a seus comandados. Tudo em prol da perfeição técnica, alcançada mediante treinamento constante e rigidez de conduta”, destaca o site oficial do São Paulo para descrever Telê Santana.

Todos os títulos de Telê Santana pelo São Paulo

Telê Santana não só ganhou quatro dos títulos mais importantes da história do São Paulo, como é o técnico com mais troféus conquistados pelo clube: foram 10 no total. Em 1992, o Tricolor bateu o Newell's Old Boys, da Argentina, na Libertadores, e o Barcelona no Mundial. Em 1993, as vítimas foram Universidad Católica, do Chile (Libertadores), e o Milan (Mundial).

Desta forma, Telê tem no currículo pelo São Paulo as seguintes taças: Mundial Interclubes (1992 e 1993); Copa Libertadores (1992 e 1993); Supercopa Sul-Americana (1993); Recopa Sul-Americana (1993 e 1994); Campeonato Brasileiro (1991); e Campeonato Paulista (1991 e 1992).

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