A Copa do Brasil foi criada em 1989 com o objetivo de democratizar o futebol brasileiro. A ideia era ter uma competição na qual os times de menor expressão pudessem demonstrar sua força e competir de igual para igual com as grandes potências do país. As ‘zebras’ rondam pela disputa, com várias equipes grandes sendo eliminadas por clubes menos tradicionais – veja os times que mais ‘bateram na trave’ e ficaram com o vice do torneio

Muitas vezes, porém, falta fôlego para que os times de menor investimento cheguem às partidas decisivas. Ao longo da história, apenas quatro equipes que nunca foram campeãs brasileiras conquistaram o torneio de mata-mata: Criciúma, em 1991, Juventude, em 1999, Santo André, em 2004, e Paulista, em 2005.

Ao todo, clubes de sete estados já levantaram a taça. Das 33 edições, um time do Sudeste levou a melhor em 23 oportunidades. Os times do Sul foram campeões nove vezes. No Nordeste, apenas um vencedor: o Sport, em 2008. Equipes do Centro-Oeste e do Norte nunca ganharam uma final.

Se a divisão das taças do ‘torneio mais democrático do país’ parece desigual, com os títulos concentrados em uma região específica, o mesmo não podemos dizer do que acontece nas finais.

Apesar de ter os mesmos estados monopolizando a competição (São Paulo com 10 títulos; Minas Gerais, 8; Rio Grande do Sul, 7; e Rio de Janeiro, 5), em apenas três oportunidades a decisão foi disputada em um clássico estadual: Flamengo x Vasco, em 2006; Atlético-MG x Cruzeiro, em 2014; e Palmeiras x Santos, em 2015.

Flamengo x Vasco (2006)

A edição de 2006 ainda contava com 'apenas' 64 times na disputa e não tinha a participação de clubes que estavam disputando a Libertadores – à época, São Paulo, Corinthians, Palmeiras, Paulista, Internacional e Goiás. Pela primeira vez, um 'Clássico dos Milhões', disputado entre Flamengo e Vasco, decidiu o título. O Mengão levou a melhor.

A taça havia escapado das mãos de times cariocas nas três edições anteriores, com o Flamengo sendo vice duas vezes em três anos. Em 2003, o Cruzeiro bateu o Rubro-negro. Em 2004, o Santo André deixou os flamenguistas para trás, e em 2005 o Paulista venceu o Fluminense.

A campanha do Flamengo em 2006 começou tímida, passando pelo placar mínimo contra o ASA. Nas três fases seguintes, porém, contra ABC, Guarani e Atlético-MG, o time aplicou pelo menos uma goleada em uma das partidas, seja na ida ou na volta. A semifinal contra o Ipatinga foi mais apertada, mas garantiu vaga na decisão.

O Vasco teve um 7 a 0 logo de cara contra o Botafogo-PB, e também passou fácil pelo Iraty. Depois, deixou para trás Criciúma e Volta Redonda, até ter um clássico na semifinal, contra o Fluminense, que era o atual vice-campeão. Uma vitória por 1 a 0 e um empate por 1 a 1 levaram o Gigante da Colina à decisão.

As duas finais foram disputadas no Maracanã. O Flamengo venceu o primeiro jogo por 2 a 0, com gols de Obina e Luizão, e garantiu uma boa margem para o duelo da volta, que aconteceu uma semana depois. O Vasco não conseguiu reagir e novamente foi derrotado no Maraca, dessa vez por 1 a 0, com Juan anotando o tento derradeiro e dando o título ao Mengo.

Atlético-MG x Cruzeiro (2014)

A final de 2014 opôs, além de dois rivais, clubes que tinham histórias completamente distintas na Copa do Brasil. Enquanto o Atlético-MG nunca tinha disputado uma decisão do torneio de mata-mata, o Cruzeiro já havia tido esse gosto cinco vezes e já era tetracampeão – a Raposa é, hoje, a maior campeã da história, com seis taças.

O Galo, à época, era o atual campeão da Libertadores; o Cruzeiro, o atual campeão brasileiro (viria a ser bi no fim do ano). Os dois times, por estarem no torneio continental, entraram na Copa do Brasil diretamente nas oitavas de final.

A campanha do Atlético-MG foi mais dura, passando por equipes grandes, como o Palmeiras, com um placar agregado de 3 a 0, Corinthians, placar de 4 a 3, e Flamengo, na semifinal, também somando 4 a 3. Contra Timão e Mengão, a equipe precisou fazer história. Nos dois casos, perdeu o jogo de ida por 2 a 0 e reverteu, na volta, com goleadas por 4 a 1.

O Cruzeiro eliminou primeiro o Santa Rita, com placar agregado de 7 a 1, teve dificuldade nas quartas de final, diante do ABC, se classificando apenas pela regra do gol fora, e passou pelo Santos na semifinal (4 a 3 no agregado).

O Galo teve o mando do primeiro jogo, disputado no estádio Independência, e venceu por 2 a 0, com gols de Luan e Dátolo. A equipe do técnico Levir Culpi chegou com uma boa vantagem para a volta, que aconteceu no Mineirão, com mando do Cruzeiro, e novamente venceu: 1 a 0, com o gol do título marcado por Diego Tardelli. Se quiser relembrar o maior artilheiro de uma única edição do torneio, é só clicar no link acima.

Palmeiras x Santos (2015)

No ano seguinte, um novo clássico na final, o primeiro entre equipes de São Paulo. Palmeiras e Santos fizeram dois duelos recheados de emoção e rivalidade na edição de 2015. O Palmeiras, que havia escapado do rebaixamento no Campeonato Brasileiro do ano anterior apenas na última rodada, levou a melhor.

No mesmo ano, as duas equipes já haviam decidido o Campeonato Paulista, e o Santos havia ficado com a taça. O que não faltou na decisão da Copa do Brasil foram provocações e deboches.

No Brasileirão de 2015, Ricardo Oliveira, do Peixe, comemorou um gol sobre o Palmeiras fazendo uma espécie de careta, com um bico. Os atletas do Alviverde entenderam aquilo como uma provocação, e zoaram o centroavante com cartazes e imitações depois de conquistarem o título.

Para chegar à final, porém, o caminho foi longo. O Palmeiras eliminou Vitória da Conquista, Sampaio Corrêa e ASA nas três primeiras fases. Nas oitavas, passou pelo Cruzeiro. Nas quartas, pelo Internacional. A semifinal também foi emocionante, eliminando o Fluminense apenas nos pênaltis, após um placar agregado de 3 a 3.

O Santos bateu o Londrina, Maringá e Sport nas fases iniciais. Nas oitavas de final, um clássico contra o Corinthians, com duas vitórias (2 a 0 e 2 a 1) e placar agregado de 4 a 1. Nas quartas, o duelo foi contra o Figueirense. Na semi, outro clássico, dessa vez contra o São Paulo, e novamente com duas boas vitórias: 3 a 1 nas duas partidas.

O Peixe venceu o primeiro duelo da grande final, disputado na Vila Belmiro, por 1 a 0, com gol de Gabigol. Um tento perdido por Nilton, de cara para o gol, poderia ter ampliado a vantagem, que foi mínima para o Allianz Parque. No confronto da volta, o Palmeiras vencia por 1 a 0, com gol de Dudu, até os 34 minutos do segundo tempo, quando o camisa 7 fez mais um, que daria o título ao Alviverde.

A alegria, porém, durou pouco, já que Ricardo Oliveira descontou dois minutos depois, levando a disputa para os pênaltis. Nas cobranças, vitória palmeirense por 4 a 3, com Fernando Prass, hoje ídolo do clube, convertendo a penalidade decisiva e garantindo a terceira taça de Copa do Brasil ao Palmeiras – atualmente, são quatro, duas delas de forma invicta.

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