A Copa do Brasil chega em sua reta decisiva depois de duelos importantes nas quartas de final. O São Paulo de Fernando Diniz, que bateu o Flamengo duas vezes para avançar à semi, é o grande destaque. A equipe mostrou solidez e repertório para bater o grande time do Brasil no momento e então principal favorito ao título.

Por outro lado, o América-MG é a surpresa depois das quartas. O Coelho, que faz Série B equilibrada e está no grupo de equipes que sobem para a elite do futebol brasileiro até aqui, superou o instável Internacional depois da saída de Eduardo Coudet e atingiu a semifinal da competição mata-mata pela primeira vez em sua história.

Vale ressaltar que a classificação vai muito além da questão esportiva. Os quatro times que avançaram para as semifinais embolsaram R$ 7 milhões pelo triunfo. Agora, a meta é atingir a final e faturar mais uma bolada: o vice-campeão recebe R$ 22 milhões, enquanto o campeão terminará com prêmio de R$ 54 milhões pelo título.

Abaixo, a Betway destaca a trajetória dos quatro times vivos na Copa do Brasil, faz uma análise dos confrontos e de tudo o que você precisa saber sobre o torneio.

Copa do Brasil: datas das semis e finais e regras

Por conta do calendário atípico em 2020, as semifinais da Copa do Brasil acontecerão em uma data inusitada: os finalistas serão conhecidos entre o Natal e o Ano Novo. Isso porque os jogos estão marcados para 23 e 30 de dezembro, e os mandos de campo ainda serão definidos em sorteio.

A grande final, disputada em dois jogos, fica para 2021. Acontecerá em 3 e 10 de fevereiro do ano que vem.

Diferentemente das competições sul-americanas -- Libertadores e Sul-Americana --, o torneio mata-mata brasileiro não tem mais o critério de gol fora. Ou seja, qualquer vitória pela mesma diferença de gols força uma decisão por pênaltis. Na final, há prorrogação antes das penalidades.

São Paulo x Grêmio: o que esperar do confronto?

Coincidentemente, o principal duelo semifinal da Copa do Brasil, entre São Paulo e Grêmio, coloca frente a frente os dois técnicos com trabalhos mais longevos no país. Fernando Diniz, há pouco mais de um ano no clube paulista, mede forças com Renato Gaúcho, consolidado há mais de quatro anos em Porto Alegre.

Diniz comentou sobre essa coincidência, mas não acredita que o confronto seja suficiente para acabar com a ‘máquina de moer’ técnicos no Brasil. “Não acho que vai mudar [a mentalidade do futebol brasileiro com treinadores]. O Renato não está lá por ser longevo, está lá porque chegou e já ganhou. A Copa do Brasil, depois a Libertadores, depois chegou nas semifinais da Libertadores e venceu mais de uma vez o Campeonato Gaúcho. No São Paulo é um exemplo mais prático e assertivo que o Grêmio. Nesse ano aqui eu tive muitos momentos de pressão. Mas aí teve uma diretoria [para segurá-lo no cargo]”, disse Diniz, após a classificação assegurada com um simbólico 5 a 1 no agregado contra o Flamengo.

Em campo, o embate promete ser agradável para os fãs de futebol em geral. Afinal, será de duas equipes ofensivas, que gostam de ter a bola e controlar a posse em suas partidas.

Pelo lado são-paulino, é interessante ver o amadurecimento para mudar o estilo de jogo conforme o adversário e a dificuldade imposta. Contra o Rubro-negro carioca, por exemplo, isso ficou nítido principalmente no segundo jogo. Tendo o resultado a seu favor, e um adversário que marcava em cima e não deixava o Tricolor sair jogando com tranquilidade, Fernando Diniz recuou a equipe como não costuma fazer e partiu em contra-ataque.

Foi assim que segurou as ações ofensivas do Fla de Rogério Ceni e conseguiu matar o jogo com três gols.

Já a equipe de Renato Gaúcho, enfim, decolou. Desde que o futebol brasileiro voltou, em agosto, o técnico viveu talvez o período de maior pressão sob o comando gremista. Sem bons desempenhos, acompanhados de resultados ruins, o treinador ficou questionado e respondia que “em breve o Grêmio vai decolar”. Parece que o momento chegou, justamente quando a temporada começa a ficar decisiva.

Diego Souza melhorou na frente e faz gols importantes e com boa frequência, mas o segredo está no meio de campo. E a resolução veio toda da base. Darlan, volante, uniu-se a Matheus Henrique e Jean Pyerre, novo camisa 10 do time. Juntos, os garotos formam um trio consistente, que gosta da bola e é criativo na hora de municiar os atacantes.

Em destaque, Jean Pyerre. O meio-campista recuperou-se de lesão grave e longo tempo fora dos gramados para dominar o meio. É o camisa 10 típico: dá passes com precisão, chuta bem de fora da área, bate faltas e escanteios. É o grande maestro da equipe no momento e prova de que Renato Gaúcho mais uma vez consegue reinventar a equipe.

Outro ponto interessante é a força histórica do Grêmio. Time com mais jogos (187) na Copa do Brasil, o clube gaúcho já chegou em oito semifinais da competição e conquistou cinco vezes o título. O São Paulo, multicampeão, vai em busca do único troféu que ainda não tem em sua prateleira.

Palmeiras x América-MG: tudo sobre a outra semifinal

Favorito do confronto já que pega um time de menor expressão e orçamento, o Palmeiras automaticamente se coloca como favorito ao título da Copa do Brasil -- isso porque, se levar ao pé da letra, é a equipe mais próxima da final. Guiado por Raphael Veiga, o Alviverde melhorou muito desde a saída de Vanderlei Luxemburgo.

Primeiro, Andrey Lopes fez mudanças e tornou o contra-ataque da equipe ainda mais fatal. Depois, agora com o português Abel Ferreira, arredonda ainda mais o modelo de jogo e vê jogadores antes encostados brilharem: além de Veiga, Zé Rafael e Gustavo Scarpa, utilizado na lateral esquerda, recuperaram suas confianças e o bom futebol.

Como a semifinal será somente no final do ano, o Palmeiras tem tempo para se recuperar dos desfalques atuais e ajustar ainda mais o trabalho em campo. De todo modo, vive seu melhor momento na temporada.

Já o América-MG é a zebra atual -- é o primeiro time da Série B a atingir a semifinal desde que o novo modelo da Copa do Brasil, com times da Libertadores, foi estabelecido, em 2013. Treinado por Lisca “Doido”, o Coelho mostra equilíbrio no 4-4-2 e provavelmente se fechará contra o Palmeiras para partir no contra-ataque. A estratégia pode funcionar caso os paulistas não consigam criar espaços tendo a bola e um rival recuado, o grande problema na passagem de Luxa. A ver como Abel Ferreira usará o elenco e o que fará diante deste cenário.

A classificação vai muito além da questão esportiva. O torneio hoje é um dos grandes atrativos financeiros do calendário brasileiro. Quem você acha que irá chegar até a final? Continue fazendo suas apostas na Copa do Brasil.