Copa América de 2004. Brasil x Argentina. Clássico, título em jogo e mais uma série de elementos que faziam daquela partida em Lima, no Peru, um momento histórico para o futebol sul-americano. E foi, principalmente por causa da atuação de Adriano Imperador nos acréscimos do duelo realizado no Estádio Nacional.

Campeão do mundo em 2002, o Brasil foi com um time B para a disputa da Copa América. A Argentina, em compensação, vivia grande fase e foi com força total. Comandada por Marcelo Bielsa, a seleção vizinha, então, era favorita.

Tévez, Sorin e Kily González eram alguns nomes de destaque da equipe azul e branca, enquanto o Brasil tinha Maicon, Gustavo Nery, Alex, Luis Fabiano e Adriano Imperador.

No primeiro tempo, os argentinos abriram o placar com Kily González. O meia converteu uma penalidade e colocou o time em vantagem. Aos 45 da etapa inicial, Luisão empatou.

Na volta do intervalo, a Argentina seguia superior em campo. Mesmo ainda jovem, o time de Bielsa mostrava personalidade e uma geração promissora para o país. Delgado, que entrou no lugar de Rosales, ficou próximo de consagrar aquele time. Ele pegou rebote na área, soltou uma bomba cruzada e não deu chances para Júlio César.

Sem seus principais jogadores -- Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho e Kaká, por exemplo --, a seleção brasileira não dava indícios de que poderia buscar o empate em Lima depois de sofrer um gol aos 42 minutos do segundo tempo. Até que Adriano Imperador entra em cena.

Adriano aparece do ‘além’ e marca

Quem acompanhava a transmissão na TV Globo provavelmente não esquece aquela narração de Galvão Bueno. Elogiando o trabalho de Carlos Alberto Parreira, o narrador destacava o bom trabalho na Copa América, a rodagem do time e a oportunidade para novos jogadores, como Adriano Imperador, como se já tivesse terminado a partida.

Conformado com o título argentino, Galvão foi surpreendido por uma bola alçada na área por Diego. A zaga tenta afastar, a bola sobra para o Imperador, que ajeita e, sem deixar cair, solta uma verdadeira bomba para a rede. Faltavam cerca de 30 segundos para acabar o acréscimo da arbitragem e 2 a 2 no placar.

Empolgado com o empate no finalzinho, o Brasil foi para as penalidades com confiança. D’Alessandro e Heinze logo perderam as primeiras cobranças da Argentina, o que facilitou o serviço. Pela seleção brasileira, Adriano, Edu, Diego e Juan fizeram e decretaram o título.

Em entrevista ao site The Players Tribune, Adriano relembrou aquele dia histórico e o que se passou em sua cabeça no lance decisivo. O camisa 7 coroou a atuação com o tento nas penalidades.

"Bola alta na área. Confusão. Corpos. Cotovelos. Eu não conseguia ver nada. Se você assistir ao vídeo, eu coloco meu cotovelo para cima para acertar em alguém. De repente, a bola sobra no meu pé. Um presente do céu”, recordou o ex-jogador.

O Imperador foi sincero, e modesto, para definir o que se passou naquele lance capital. "Estaria mentindo pra você se dissesse que sabia onde estava mirando. Eu apenas bati com a esquerda, o mais forte que pude”, completou.

media Fonte: AFP/ AFP via Getty Images

Antes do empate, provocação e ‘quase’ cotovelada

Ao melhor modelo argentino de ser, a seleção de Bielsa cozinhava de todas as formas a partida para confirmar o título daquela Copa América. Substituições no fim, Tévez levando a bola para escanteio, D’Alessandro levando horas para bater um escanteio e atletas no chão foram algumas táticas para correr com o tempo.

Em participação no Resenha, da ESPN, em 2021, Adriano revelou que o clima era ainda pior para quem estava dentro de campo. O ex-jogador disse que por pouco não deu uma cotovelada para responder à provocação dos rivais. Luis Fabiano, que também não perde uma briga, esteve no limite, contou o Imperador.

“Naquele jogo, eles [argentinos] estavam começando a sacanear a gente. Ia dar confusão, o Luis Fabiano já queria pegar um. Eu tinha dado uma cotovelada no cara, mas não pegou”, contou o ídolo do Flamengo no Resenha.

Final ajudou Imperador a ascender na Europa

Uma final de Copa América entre Brasil e Argentina naturalmente ganha destaque mundial. Seja nos países sul-americanos, que acompanham a rivalidade e gostam de um bom futebol, ou entre europeus, que cedem alguns de seus craques para defenderem as duas seleções.

No caso de Adriano, aquela Copa América teve diversos significados. O gol no último minuto da competição, por exemplo, rendeu-lhe a artilharia isolada da competição, com 7 gols.

O feito foi importante para o Imperador, que acabava de finalizar uma temporada com maior participação na Inter. Em 2003/04, após retornar de empréstimo do Parma, o atacante fez 18 jogos e 12 gols.

Coincidentemente ou não, depois da Copa América Adriano voltou para a Itália e fez sua melhor temporada pelo clube italiano. Em 2004/05, ele anotou 32 gols em 44 partidas e emplacou diversos lances de força e habilidade para virar definitivamente o ‘Imperador’.

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