O Palmeiras empatou com o Coritiba por 1 a 1 e conquistou a Copa do Brasil de 2012. Aquela edição, além de marcar um novo título palmeirense com Luiz Felipe Scolari no comando, também simbolizou o troféu de uma equipe que meses depois se encontraria em situação bem complicada. O Alviverde não teve o mesmo êxito no Campeonato Brasileiro e acabou rebaixado para a Série B pela segunda vez.

Mais que o paradoxo de vencer em julho e cair em dezembro, aquela conquista do clube paulista marcou a última edição da Copa do Brasil “raiz”. Até 2012, a competição mata-mata era a chance para times de menor expressão -- ou grandes em situação ruim no cenário nacional -- vencerem algum troféu na temporada. Mas as coisas mudaram depois que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) repaginou totalmente o torneio.

A partir de 2013, a Copa do Brasil passou por mudanças significativas. Muitos torcedores e a própria imprensa, à época, questionaram a decisão da entidade máxima do futebol brasileiro, alegando que o torneio mais democrático do país estava por acabar. E democrático pelo fato de que muitos pequenos tinham a oportunidade de jogar partidas relevantes, com presença de público e mídia, e até de bater de frente com equipes de elite -- relembre algumas das principais zebras do torneio.

Queira ou não queira, a competição ganhou outro rumo depois das mudanças de 2013. Hoje, e somente por conta dessas alterações no regulamento, virou objeto de cobiça de qualquer clube que ganha a chance de disputá-la. Até mesmo para aqueles que sabem que não serão campeões, mas que por meio da Copa do Brasil conseguem salvar as finanças.

Abaixo, a Betway lista alguns motivos que transformaram a Copa do Brasil e como tudo isso aconteceu.

Vem, times da Libertadores

A principal mudança, e que explicará todas as outras, foi a inserção de times que disputam a Libertadores. Com esta decisão, a CBF deixou claro que pequenos ou times em maus momentos sofreriam ainda mais para vencer a taça. Afinal, se antes já era uma disputa acirrada, como competir com os clubes de maior orçamento e elenco, consequentemente, de 2013 para cá?

Só que a escolha do órgão que gere o futebol brasileiro resultaria em alguns ganhos, em questões de marca e marketing. É o que aconteceu e fez a competição mudar bruscamente sete anos depois. Hoje, com as melhores equipes do Brasil entrando na fase oitavas de final, o jogo fica mais atrativo: há mais cobertura da mídia, mais interesse das empresas, público nos estádios e entusiasmado com a competição. A roda da Copa do Brasil girou e fez com que ela se transformasse em uma ‘mina de ouro’ para a CBF.

Voltando para a questão esportiva, antes de avançar para outras mudanças significativas da Copa do Brasil, é válido analisar os campeões de 2013 para cá. Flamengo (2013), Palmeiras (2015) e Cruzeiro (2017) não estavam na Libertadores e ainda assim conseguiram o título. Já Atlético Mineiro (2014), Grêmio (2016), Cruzeiro (2018) e Athletico Paranaense (2019) dividiam o calendário nacional com as partidas sul-americanas da Libertadores. Ou seja, quase empate técnico (4 a 3 para times da Libertadores) quando se faz o recorte dos últimos campeões e em que momento estavam no cenário internacional. 

De todo modo, ainda é cedo para afirmar que os clubes em melhor fase levarão vantagem diante dos times em pior situação ou se o calendário (com Brasileirão, Libertadores e Copa do Brasil) pesará para as equipes que estiverem em destaque.

Outro fator crucial para a Copa do Brasil bombar foi a estratégia de transformá-la em anual. Se antes acabava em julho, e muitas vezes dividia datas e atenções com a Libertadores -- e perdia em audiência e interesse --, com a realização mais espaçada o campeonato conseguiu se valorizar. Daí, não tem segredo, entra mais dinheiro aos cofres.

Dinheiro fez todo mundo cobiçar torneio

Não teve jeito. A guinada da CBF para transformar a Copa do Brasil passou também em aumentar as cotas para os times, à medida em que vão avançando de fase. É por isso que, neste novo formato, agremiações de pequeno porte traçam metas menos ousadas, ou seja, mais factíveis, mas que dão retorno financeiro excelente.

Na primeira fase, com divisão de três grupos de acordo com a relevância dos clubes, a CBF paga R$ 1,1 milhão (grupo 1), R$ 950 mil (grupo 2) e R$ 540 mil (grupo 3). Seguindo a mesma lógica, a fase 2 bonifica com R$ 1,3 milhão, R$ 1,03 milhão e R$ 650 mil.

Daí em diante, os valores são fixados. R$ 1,5 milhão para quem avançar à terceira fase; R$ 2 milhões na quarta fase; R$ 2,6 milhões nas oitavas de final; R$ 3,3 nas quartas; R$ 7 milhões na semifinal; e, na final, R$ 22 milhões ao vice, além de R$ 54 milhões ao campeão.

Em uma somatória simples, o campeão da Copa do Brasil pode acumular em premiações até R$ 72,8 milhões. O valor de fato é simbólico e faz financeiramente a temporada para quem levar o título, que ainda garante uma vaga na próxima edição da Copa Libertadores.

Ajuste para 2021

Com o modelo atual bem consolidado, a CBF não pretende mexer na Copa do Brasil de forma drástica como fez em 2013 tão cedo. Por enquanto, a competição cresce internamente na direção da entidade e ganha cada vez mais peso no cenário nacional. Por isso, muitos cartolas da CBF estudam ano a ano mudanças no regulamento para tornar o campeonato ainda mais atrativo.

Em 2021, as equipes que disputam a Libertadores vão ingressar na competição na terceira fase. Com a alteração, os 12 times oriundos da Libertadores e competições nacionais (campeões da Série B, Copa Verde e Copa do Nordeste) se juntarão a outros 20 que se classificarem nas fases anteriores.

O intuito da mudança é corrigir um dos erros do novo formato. Da forma que foi entre 2013 e 2020, os clubes da Libertadores levaram vantagem e precisaram jogar poucas partidas para já chegar à final. A decisão pretende deixar a disputa mais equilibrada.

As semifinais da Copa do Brasil prometem pegar fogo nos próximos dias. O que é um prato cheio pra quem gosta de testar os palpites. Quem chegará na final? Aproveite os últimos confrontos e faça suas apostas na Copa do Brasil.