Não tem jeito: vencer o Campeonato Brasileiro coloca o time campeão na história do clube que leva a taça para a sua galeria. E, ao longo dos anos de disputa da competição -- o Brasileirão completa 50 anos em 2021 --, muitos estrangeiros marcaram presença nas equipes que saíram vitoriosas.

No atual campeão do torneio, o Flamengo, alguns nomes se destacaram bem na campanha. A começar por Jorge Jesus, técnico português que chegou, transformou o time e faturou os títulos nacional e da Libertadores. Mas, dentro das quatro linhas, outros gringos tiveram destaque: é o caso de Arrascaeta, maestro rubro-negro e parte do “quarteto fantástico” ao lado de Bruno Henrique, Gabigol e Everton Ribeiro.

Além do uruguaio, Pablo Marí passou pelo Brasil e conquistou a torcida carioca. O zagueiro espanhol chegou no meio de 2019, ganhou a vaga no lado esquerdo do setor e fez uma dupla implacável com Rodrigo Caio. Hoje, a sua saída para o Arsenal, da Inglaterra, ainda não foi superada. Mesmo que tenha contratado defensores, o Fla sofre com uma zaga vulnerável e os problemas até culminaram nas eliminações na Copa do Brasil e na Libertadores.

Outro gringo que estava por aqui até outro dia é D’Alessandro. Ídolo absoluto no Inter, o meio-campista argentino nunca ganhou o Brasileirão, mas tem garantido o espaço na prateleira de grandes jogadores do Colorado. Foram mais de 500 jogos com a camisa vermelha e o título da Libertadores, em 2010. Aos 39 anos, o jogador não quis renovar o contrato com a equipe em dezembro do ano passado, quando ele venceu, e se despediu do Rio Grande do Sul.

A lista de estrangeiros de destaque no Campeonato Brasileiro é grande e sortida. Veja, abaixo, 10 campanhas que tiveram jogadores não nascidos no Brasil brilhando com a camisa de algum campeão nacional.

Figueroa - Internacional (1975 e 1976)

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A relação afetuosa do clube colorado com jogadores estrangeiros é antiga. E a mais marcante delas é com Elias Figueroa. Zagueiro elegante e bastante técnico, o chileno fez história no time na década de 1970. Foi bicampeão brasileiro em 75 e 76 e dividia o posto de ídolo com Valdomiro e Falcão.

O domínio da posição, o talento e a segurança que o xerife passava em campo o transformou também no melhor zagueiro da Copa do Mundo de 1974 -- mesmo defendendo o Chile. “A área é a minha casa, aqui só entra quem eu quero” é uma frase que ficou famosa na boca do ex-jogador, que sabia ser raçudo e jogar duro quando precisava.

Dario Pereyra - São Paulo (1977 e 1986)

Por falar em xerifes sul-americanos, o São Paulo também teve o seu na década de 1970. Dario Pereyra, ídolo nos corredores do Morumbi, chegou ainda jovem ao Brasil, a peso de ouro, e contribuiu bastante na decisão de 1977, atuando como meio-campista. Colou em Toninho Cerezo, marcou com perfeição o craque do Atlético Mineiro naquela decisão e faturou o primeiro troféu nacional.

Já em 86, quando o Tricolor voltou a levantar o Campeonato Brasileiro, Pereyra foi a referência do time. Deslocado para o miolo de zaga por causa da idade, o ex-jogador comandava os vários jovens dos “Menudos do Morumbi”. A vitória em cima do Guarani consolidou ainda mais o gringo, que acabou sendo o elo das duas gerações vencedoras no clube.

Hugo de León - Grêmio (1981)

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Uma cena histórica representa Hugo de León no Grêmio: o uruguaio todo ensanguentado erguendo a taça da Libertadores de 1983. É que o troféu tinha um prego solto e ele se feriu quando foi apoiar o objeto na cabeça. O capitão, contratado junto ao Nacional de Montevidéu, era a alma tricolor em campo e participou de outro título importante. No Brasileirão de 1981, vencido pela equipe de Ênio de Andrade, só não esteve em duas partidas.

Arce e Rivarola - Grêmio (1996)

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Também no Grêmio, uma dupla se destacou na conquista de 1996. A força uruguaia mais uma vez se fez presente no Tricolor gaúcho: Rivarola compôs, ao lado de Adílson Batista, uma dupla de zaga histórica e muito sólida. Perto deles, um paraguaio brilhava na lateral. Arce, que esteve por anos entre os melhores da posição no Brasil, era essencial para o esquema de Felipão e mostrava virtudes até então não exploradas pelos laterais. Atacava, batia como poucos na bola, fazia gols de falta e cruzava na cabeça dos atacantes.

Gamarra e Rincón - Corinthians (1998 e 1999)

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O bicampeonato corintiano marcou época no Parque São Jorge. E dois estrangeiros são lembrados e idolatrados até hoje. Primeiro, em 1998, Gamarra. O paraguaio, considerado um dos melhores de todos os tempos na posição, era o chefe da zaga. Ele, no entanto, não permaneceu para a conquista de 1999. Já Rincón, com todo seu vigor físico e imposição no meio de campo, participou das duas conquistas. Ao lado de Vampeta, o colombiano formou uma das melhores duplas de volantes do futebol nacional.

Aristizábal e Maldonado - Cruzeiro (2003)

Quem não se lembra do Cruzeiro dos 100 pontos em 2003? Pesou o fato de que a tabela era maior, é verdade  -- composta por 24 times --, mas os mineiros venceram e convenceram. Foram 102 gols marcados e um time de dar inveja. Entre os 11 titulares, dois estrangeiros de sucesso. O centroavante Aristizábal, da Colômbia, que fazia gol de tudo quanto é jeito, municiado pelos passes de Alex; e o chileno Maldonado, ‘motorzinho’ do time como volante naquela conquista.

Tevez - Corinthians (2005)

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Samba, Tevez! Como não se recordar da febre que foi Carlitos Tevez no Corinthians? O atacante argentino, hoje no Boca Juniors, surgiu no início do século como grande promessa do país e correspondeu: brilhou no Timão com dribles, golaços e uma dupla fatal ao lado de Nilmar. Foi campeão brasileiro de 2005. Depois, foi fazer carreira em grandes clubes europeus. Mascherano também participou daquela campanha, mas com menos relevância.

Petkovic - Flamengo (2009)

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O “Império do Amor” do Flamengo de 2009 era comandado por Adriano Imperador e Vagner Love. Mas o sérvio Petkovic fez diferença naquele título brasileiro. De volta à Gávea em um negócio duvidoso, Pet chegou sob olhares desconfiados da torcida. Mas o talentoso meio-campista chamou a responsabilidade e brilhou. Com o sérvio em campo, o Fla perdeu apenas um jogo no Brasileirão.

Conca - Fluminense (2010)

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Os tempos áureos de Fluminense e Unimed foram personificados na presença do argentino Darío Conca. O meia simplesmente orquestrou o time de Muricy Ramalho e foi considerado o grande craque da conquista de 2010. Anotou nove gols em 38 partidas -- sim, Conca participou de todos os compromissos da equipe naquele torneio. No ano anterior, vale o registro, comandou a arrancada heroica pela permanência na elite do futebol brasileiro.

Yerry Mina - Palmeiras (2016)

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Recentemente, o Palmeiras saiu da fila do Brasileirão. Os 22 anos de espera foram superados com Cuca, a joia Gabriel Jesus de destaque e Yerry Mina. O colombiano foi desfalque em diversas partidas do Alviverde, por conta da Data Fifa, mas ninguém nega a importância do zagueiro quando estava em campo. Alto, veloz e muito bom no jogo aéreo, Mina segurava tudo atrás e com frequência deixava seus gols nas bolas paradas.

Os jogadores estrangeiros muitas vezes já elevaram o nível do Campeonato Brasileiro, que, por sinal, nessa edição está pegando fogo. Aproveite o momento e faça suas apostas no Brasileirão!