O rebaixamento para o Brasileirão Série B é o grande pesadelo dos clubes que estão na elite do futebol. Cair e subir no campo, porém, deve, sim, ser motivo de orgulho. A segunda divisão nacional é uma das mais disputadas do mundo, além de sempre trazer grandes histórias de superação. Apenas três times nunca foram rebaixados.

Alguns treinadores consagrados do futebol brasileiro já foram campeões, tanto por clubes menores como por gigantes – veja jogadores medalhões que estão na disputa da atual edição da Série B. A seguir, veja quais técnicos famosos já ergueram a taça da segunda divisão.

Vanderlei Luxemburgo (1989 - Bragantino)

Luxemburgo é um dos técnicos mais vitoriosos do Brasil, com cinco títulos de Campeonato Brasileiro – ele é, ao lado de Lula, pentacampeão pelo Santos na década de 60, o maior vencedor da história da competição. Luxa levantou a taça pelo Palmeiras (1993 e 1994), Corinthians (1998), Cruzeiro (2003) e Santos (2004). Também teve uma passagem pela seleção brasileira no início dos anos 2000.

A carreira como treinador começou na década de 80. Antes disso, foi jogador de futebol, com passagens por Flamengo, Internacional e Botafogo, como lateral-esquerdo. À beira do campo, porém, é que o 'pofexô', apelido dado pela maneira de falar, fez história. Antes de brilhar e ter conquistas na Série A, Luxemburgo passou por times menores do interior. 

No fim da década de 80, ainda começando e com apenas 37 anos, chegou ao Bragantino, depois de passar um período nos Emirados Árabes. A filosofia de jogo encantou os torcedores do Massa Bruta e os amantes de futebol. "Algumas vezes, chegávamos a jogar com quatro atacantes. Isso sem falar que os volantes, Mauro Silva e Ivair, saiam pro jogo", disse Gil Baiano, ex-lateral-direito, ao site da Red Bull, que hoje dá nome ao clube.

Na campanha da Série B de 1989, o time comandado por Luxemburgo passou bem na primeira fase, e, depois, eliminou Catanduvense, Juventus, Criciúma e Remo. Na final, contra o então vice-campeão paulista São José, o time de Bragança Paulista também levou a melhor, com duas vitórias: uma por 1 a 0; outra, por 2 a 1. Foi o primeiro título nacional do técnico, que, com o sucesso, se transferiu para o Flamengo.

Rogério Ceni (2018 - Fortaleza)

Rogério Ceni ainda é um treinador novo, mas se credencia a entrar na lista pelos títulos que conquistou em pouco tempo de carreira como técnico, além de estar em destaque no cenário atual. Em 2020, foi campeão do Brasileirão Série A comandando o Flamengo. Também venceu a Supercopa do Brasil e o Campeonato Carioca de 2021.

Foi pelo Fortaleza, no entanto, que o trabalho como treinador chamou atenção. Ceni foi campeão cearense em 2019 e 2020, e levantou a taça da Copa do Nordeste, torneio regional de maior sucesso no país, em 2019. Um ano antes, em 2018, foi o comandante de uma campanha histórica que culminou no título do Brasileirão Série B, colocando o clube de volta à elite do futebol nacional após 12 anos, bem no ano do centenário do Leão do Pici.

"A missão era de todos. Fico contente que a gente tenha conquistado o título. Um ano de muito trabalho. [...] Um dia muito especial, um dia de muita alegria. Maior título da história do clube no centenário", disse, à época, em entrevista coletiva.

O bom trabalho na equipe cearense colocou Ceni no mercado de treinadores vistos como opções pelos clubes gigantes do país. A campanha de 2018 foi a única participação do ex-goleiro na segunda divisão nacional. Atualmente, ele comanda o São Paulo – leia curiosidades e dê seus palpites no Brasileirão.

Mano Menezes (2005 - Grêmio/ 2008 - Corinthians)

Mano Menezes começou a carreira de treinador no Rio Grande do Sul, estado natal. O primeiro trabalho de relevância nacional foi no 15 de novembro, time modesto que Mano levou à semifinal da Copa do Brasil em 2004, em uma campanha histórica.

Com o destaque, o Grêmio apostou no então jovem treinador para ser o comandante da equipe que tinha a missão de levar o clube de volta à elite do futebol nacional no Brasileirão Série B de 2005. A competição foi a última antes de a CBF adotar o modelo de pontos corridos para a segunda divisão.

O Tricolor gaúcho terminou a primeira fase em quarto lugar, com 35 pontos em 21 jogos, atrás de Santa Cruz, Marília e Guarani, mas garantiu a classificação. Na segunda fase, dividida em grupos, os gremistas fizeram 12 pontos em seis jogos, e avançaram em segundo, atrás novamente do Santa Cruz.

No quadrangular final, a equipe de Mano Menezes fez os mesmos 12 pontos em seis jogos, mas terminou em primeiro, ficando com a taça de campeão. A última partida, contra o Náutico, foi histórica: com sete jogadores em campo, fora de casa, Anderson fez o gol que deu a vitória aos tricolores, no que ficou conhecido como a 'Batalha dos Aflitos'.

Três anos depois, Mano Menezes voltou a dirigir um time grande no Brasileirão Série B, e novamente foi campeão. Dessa vez, o gaúcho comandou o Corinthians, rebaixado em 2007. Mais do que levantar o troféu e conduzir o clube à elite, o treinador fez história: a campanha do Timão é, até hoje, a melhor da Série B no formato de pontos corridos.

Foram 85 pontos conquistados em 38 partidas – com 25 vitórias, dez empates e somente três derrotas. Ao todo, foram 79 gols marcados e 29 tentos sofridos. O Santo André, segundo colocado, fez 68 pontos, 17 a menos que os corintianos. A equipe que mais se aproximou da pontuação do time de Mano Menezes foi a Portuguesa, em 2011, que somou 81.

Levir Culpi (1988 - Inter de Limeira/ 2006 - Atlético-MG)

A carreira de Levir Culpi é extensa, e começou na década de 80, pouco depois de se aposentar como jogador. O primeiro título veio logo, em 1988, pela Inter de Limeira, e foi a taça da segunda divisão. Nas partidas finais, ele já não era o técnico da equipe, mas é considerado campeão por ter comandado grande parte da campanha. Em entrevista ao ‘ge’, há alguns anos, o treinador falou sobre o fato. "É motivo de orgulho. A Inter do meu tempo era um time que jogava de igual para igual com qualquer um. Tínhamos ótimos jogadores, a cidade também vivia em torno do clube", disse.

Levir voltou a ser campeão do Brasileirão Série B em 2006, já em novo formato, de pontos corridos, pelo Atlético-MG. O Galo foi o primeiro colocado com 71 pontos, sete de vantagem para o segundo colocado, Sport, ao fim das 38 rodadas. Anos depois, o treinador voltou ao clube para conquistar a Copa do Brasil de 2014 – em uma das três finais da história a ser decidida com clássico estadual.

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