O Brasileirão Série B é um dos campeonatos mais equilibrados e difíceis do futebol brasileiro, mas há também na segunda divisão espaço para histórias divertidas e momentos de superação dentro das quatro linhas. Recentemente, Edu, artilheiro do Brusque, viveu uma situação dessas: o destaque da equipe no torneio substituiu o goleiro nos minutos finais, defendeu um pênalti e assegurou três pontos para os catarinenses.

Edu é um dos principais jogadores da competição por estar entre os goleadores da Série B. Se não bastasse a regularidade e contribuição no ataque, o centroavante calçou um par de luvas contra o Remo, já na parte final do duelo pela 30ª rodada, e foi para o gol. Ele substituiu o goleiro Ruan Carneiro, que se lesionou e foi expulso ao cometer falta dentro da área.

Como o relógio marcava 50 minutos da segunda etapa e o Brusque já havia feito as cinco substituições, algum atleta de linha precisava ir para a meta; o artilheiro, que tinha feito um gol e perdido um pênalti naquela tarde, tomou a iniciativa com a penalidade para o rival a ser batida.

Na cobrança do Remo, Felipe Gedoz chutou no canto, e Edu pulou para pegar. O time adversário até balançou as redes no rebote do camisa 9, com Rafael Jansen, mas a ‘vitória’ seria mesmo do artilheiro da Série B: o VAR anulou o gol por conta de invasão no momento da cobrança. Com a defesa de Edu consumada, o Brusque segurou o 3 a 1 no placar e conteve a pressão do rival com um atleta a menos.

“Com a expulsão do Ruan, conversei com o Claudinho [zagueiro], e optamos por mim. Fui feliz, esperei ele bater e fui no canto certo. Sempre gostei de ir para o gol. Confesso que sonhava com essa oportunidade para ver como seria. E deu tudo certo”, destacou Edu, ao Sportv, logo após o duelo de 15 de outubro deste ano.

Nos dias posteriores ao feito, Edu repercutiu bastante na mídia e deu entrevistas dizendo que sempre vai para o gol em rachão (jogo recreativo que geralmente fecha os treinos de um time na véspera de uma partida).

Só que o artilheiro do Brusque não foi o primeiro a brilhar improvisado no gol. Abaixo, veja outros jogadores de linha que já mandaram bem embaixo da meta depois que os goleiros se machucaram ou foram expulsos e não havia mais como fazer substituições.

Felipe Melo: Galatasaray

Felipe Melo ficou por quatro temporadas no Galatasaray, da Turquia, e virou ídolo por conta da entrega em campo e de todo o talento com a bola no pé para iniciar as jogadas no meio de campo. Mas um dos momentos mais incríveis da passagem do volante pelo clube turco foi na partida contra o Elazigspor, em 2012, e pertinho do gol. O Galatasaray vencia por 1 a 0 no torneio nacional, só que o goleiro Muslera fez um pênalti aos 44 minutos do segundo tempo e foi expulso.

O brasileiro, então, assumiu o seu lugar e fez parecido com o artilheiro do Brusque na Série B: defendeu o pênalti. Além de garantir a vitória, Felipe Melo comemorou muito, com direito à famosa e carimbada pose de “pitbull”.

Maicon: São Paulo

O São Paulo foi semifinalista da Copa Libertadores de 2016, e aquela campanha contou com alguns destaques. Um deles foi o zagueiro Maicon, que rapidamente assumiu a titularidade e virou um líder são-paulino. No campeonato sul-americano, o Tricolor visitou o The Strongest e Maicon foi protagonista como goleiro: o defensor substituiu o expulso Denis e mandou bem. Debaixo da meta, ele conteve o jogo aéreo do time boliviano, saindo de forma segura em todas as bolas, e segurou o 1 a 1 no placar em plena altitude.

Diego Souza: Sport

Diego Souza já rodou por diversos clubes do futebol brasileiro, mas em poucos ele teve uma identificação tão grande como no Recife, defendendo a camisa do Sport. No Brasileirão de 2015, contra o Flamengo, uma atitude semelhante ao feito de Edu, do Brusque, na Série B, fez o carinho da torcida pelo jogador aumentar.

O atacante substituiu o goleiro Magrão, lesionado, quando o Sport já não podia mais fazer substituições no jogo no Maracanã, e garantiu o empate para a equipe visitante. Com a camisa 87 (em alusão ao polêmico Campeonato Brasileiro daquele ano, que virou caso de justiça entre os dois clubes que se enfrentavam naquele dia, coincidentemente), ele impediu o que seria o gol da vitória com uma grande defesa no último lance.

Caio Ribeiro: Flamengo

Um caso clássico de jogador de linha que foi para o gol e se saiu bem foi Caio Ribeiro. Em 1999, defendendo o Flamengo, ele assumiu a trave rubro-negra depois que Clemer foi expulso na partida contra o Gama, pelo Brasileirão. Ele segurou o empate com defesas seguras e saiu com moral com a torcida. “Pena que a bola não veio tanto, porque eu estava bem, estava quente. Tinha que pôr em prática tudo aquilo que aprendi no rachão”, brincou o ex-jogador e hoje comentarista da TV Globo, à época do episódio.

Niall Quinn: Manchester City

Um caso não muito conhecido pelos brasileiros aconteceu em 1991, na Inglaterra, em uma época em que o Manchester City ainda não era uma das potências do futebol europeu. O irlandês Niall Quinn abriu o placar para a equipe de Manchester, foi para o gol, defendeu um pênalti e garantiu a vitória diante do Derby County. O atacante acabou como o grande herói da noite.

Pelé: Santos

Nem mesmo o Rei do Futebol escapou do ‘problema’: Pelé precisou assumir a meta do Santos na Taça Brasil de 1964. Depois que Gilmar foi expulso diante do Grêmio, o camisa 10 foi para o gol e provou ser bom até para isso. Ele fez duas grandes defesas e assegurou a vitória por 4 a 3 para o Peixe. Um “pequeno detalhe”: antes de virar goleiro por um dia, Pelé já havia feito três gols na partida.

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