Em junho de 2021, uma notícia com “ares de passado” agitou o futebol brasileiro: 19 dos 20 clubes da Série A do Brasileirão deste ano anunciaram a criação de uma liga independente para organizar o campeonato nacional e se desvincular da CBF (Confederação Brasileira de Futebol). Pouco depois, houve a adesão completa com o time que faltava no primeiro anúncio.

Aos torcedores e fãs de futebol que acompanham o dia a dia do esporte no Brasil, desconfiança. Afinal, não é de hoje que os principais clubes do país tentam se unir para criar algo “livre”, comandado pelas próprias agremiações e distante da CBF.

Desta vez, no entanto, os dirigentes que encabeçam o projeto garantem: a ideia veio para ficar. “A decisão de formação da liga é irreversível. Foi uma decisão unânime de não voltar atrás nessa pretensão. A partir da formação da liga, a CBF continua com papel fundamental na organização de todas as competições, exceto o Campeonato Brasileiro”, disse Guilherme Bellintani, presidente do Bahia, ao UOL Esporte.

“A gente quer ter autonomia para organizar a competição, mas não precisa virar de costas para a CBF de uma hora para outra já que nosso movimento não é contrário à CBF, é a favor de uma nova forma de organizar o campeonato”, reforçou o dirigente do clube baiano.

A decisão de criar uma liga e ‘tirar’ o Campeonato Brasileiro de elite da CBF já ganhou novos adeptos desde que foi externada ao público -- times da Série B reagiram de forma positiva -- e deve, se assim a ideia continuar, ter novos capítulos até que a edição atual do Brasileirão termine, em dezembro de 2021.

O que se sabe, até o momento, é que os dirigentes dos grandes times brasileiros se inspiram nas principais ligas europeias. Atualmente, a Premier League (liga inglesa) é uma das maiores do mundo, seja em audiência ou faturamento, e serve de exemplo aos dirigentes locais.

Também já foram divulgados os motivos que começaram a dar voz ao movimento que quer tirar o domínio da CBF apenas na Série A do Brasileirão. Dentre eles, existem três que são cruciais.

Avançar com uma lei em Brasília que dê ao mandante dos jogos mais direito de transmissão na TV, visando tornar esse tipo de receita ainda mais lucrativo; mais transparência na utilização do árbitro de vídeo (VAR) no Brasileirão; e um calendário que dê conta dos compromissos nacionais dos clubes, mas que respeite as datas Fifa e jogos da seleção e não prejudique os clubes.

Recentemente, a Copa América disputada no Brasil prejudicou times como Flamengo e Palmeiras e foi alvo de críticas de dirigentes pelo país.

“Quando ela começa a ter impacto real, a organizar de fato as competições? A gente preferiu não determinar porque o processo deve ser construído com todo o planejamento. Sabemos que o projeto começa imediatamente, mas ainda não temos uma data de início das competições geridas pela liga do futebol brasileiro que sequer tem nome”, reforçou Bellintani na entrevista ao UOL Esporte.

Se a criação do ‘novo Brasileirão’ está a todo vapor e deve avançar com ideias e ações concretas ainda em 2021, houve outros momentos em que as grandes forças do futebol brasileiro tentaram criar ligas independentes da CBF, seja por meio do diálogo, seja no tom da ameaça.

Em comum, ao longo da história do futebol no país, está o fato de que esses movimentos sempre surgiram em momentos em que a CBF, entidade máxima do futebol, estava fragilizada internamente (neste ano, Rogério Caboclo foi afastado da presidência).

Abaixo, a Betway relembra as vezes em que os clubes ameaçaram criar ligas independentes no Brasil.

Primeira tentativa de liga aconteceu em 1987 e acabou mal

Em 1987, a CBF vivia uma crise financeira que atormentava seu presidente, Octávio Pinto Guimarães, e o vice, Nabi Abi Chedid. O momento conturbado se transformou em problema institucional e guerra pelo comando da entidade. Resultado? Os clubes se uniram e criaram um campeonato.

Desconfiados com os rumos da CBF, os grandes clubes do país criaram uma liga mais enxuta, já que, na época do governo militar, o número de participantes no Brasileirão chegou a ser superior a 100 times. Assim surgiu o Clube dos 13, uma espécie de liga que organizou a Copa União em 1987.

O campeonato, porém, acabou em polêmica: campeão do Módulo Verde, onde estavam os times de elite, o Flamengo se recusou a enfrentar o Sport, vencedor do Módulo Amarelo, e se autointitulou campeão brasileiro. A discussão, que mais parece conversa de torcedor, foi parar na Justiça e até hoje é motivo de debate: quem venceu o nacional em 1987?

Em 2000, surgiu a Copa João Havelange

Na virada do século, quando a CBF não conseguia resolver uma pendência com o Gama, que se recusava a aceitar a queda para a Série B no ano anterior, o Clube dos 13 se uniu para fazer o nacional e batizou o torneio de Copa João Havelange. O Vasco acabou campeão da única edição, considerada o Brasileirão de 2000, em decisão realizada já em janeiro do ano seguinte.

Em 2015, com a revelação de casos de corrupção envolvendo o ex-presidente da CBF José Maria Marin, que foi preso, um projeto de liga foi criado, mas nem saiu do papel.

Sem paulistas, Primeira Liga não avançou

O último ato de organização de um campeonato independente foi em 2016. Grandes clubes do Rio de Janeiro, Minas Gerais e da região sul se uniram e fundaram a Primeira Liga. O torneio nasceu com a ideia de competir com os estaduais, até que ganhasse dimensões nacionais. No fim, sem os paulistas, ele nunca teve força real e foi definhando. Durou apenas duas edições (2016 e 2017), com a organização enfrentando muita dificuldade para se inserir no apertado calendário do futebol brasileiro.

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