As esperanças na Copa do Mundo de 1994 sobre Colômbia eram altas: eles terminaram no topo de seu grupo de classificação, venceram a Argentina por 5 a 0 e foram apontados como favoritos por ninguém menos que Pelé.

Mas a campanha de 1994 terminou em desastre, com um gol contra do defensor Andrés Escobar, uma saída no final da fase de grupos e o subsequente assassinato de Escobar fora de uma boate na Colômbia.

É uma história que ainda ressoa fortemente no futebol colombiano e todo dia 2 de julho, ela é lembrada, no aniversário da morte do zagueiro colombiano.

Mas os eventos que cercam a morte de Escobar ainda têm uma presença duradoura no país, com muitas das condições que o levaram a persistir hoje.

Apesar das recentes reduções na taxa de homicídios, uma guerra civil generalizada fez com que o crime organizado na Colômbia prosperasse por décadas.

O gol contra de Escobar ocorreu em uma derrota por 2 a 1 para os EUA, e acredita-se que membros de um poderoso cartel de Pablo Escobar tivessem grandes quantias de dinheiro investidas naquela partida.

media Fonte: Getty Images

O fracasso da equipe causou uma reação em cadeia na Colômbia, mas Escobar ignorou os amigos que disseram para ele ficar quieto até morrer, dizendo: "Devo mostrar meu rosto ao meu povo".

Cinco dias após a eliminação precoce, ele foi assassinado enquanto estava sentado em seu carro em frente a uma boate na cidade colombiana de Medellín.

Ele foi baleado seis vezes e mais tarde foi relatado que seus assassinos gritavam "Gol!" a cada tiro, um para cada vez que o comentarista da partida gritava a palavra quando o gol era transmitido.

Humberto Castro Muñoz, guarda-costas de Pablo Escobar, que se acredita ter perdido dinheiro por conta do erro de Andrés, foi preso no dia seguinte e confessou o assassinato.

Estima-se que 120.000 pessoas compareceram ao funeral de Escobar, e o aniversário de sua morte ainda é marcado em partidas na Colômbia a cada ano.

Mas engana-se quem acredita que esta cultura violenta a influência dos carteis acabou. Situações semelhantes à de Escobar a acontecem até hoje.

Em 2018, ameaças de morte foram enviadas ao meia Carlos Sanchez depois que ele foi expulso contra o Japão com apenas três minutos no primeiro jogo da Colômbia na Copa do Mundo da Rússia.

As ameaças levaram o irmão de Escobar, Santiago, ex-jogador de futebol e então treinador da Universidad Catolica, do Equador, a se pronunciar.

"Como irmão que passou por isso, eu sei o que deve estar passando pela cabeça da família [de Sanchez] e não gostaria que ninguém passasse por isso", disse ele.

"Carlos deve estar se sentindo triste pelo erro que cometeu e com muito medo, e sua família também. Meu irmão nunca recebeu ameaças, eles apenas o mataram da maneira mais covarde".

Muitas das ameaças contra Sanchez foram feitas nas mídias sociais.

"O fato de as pessoas ainda poderem dizer essas coisas em sites de redes sociais, até ameaçá-lo com a morte, mostra que nada de bom saiu da morte de Andrés, nada foi aprendido", disse Escobar.

"Essas pessoas são delinquentes que não são verdadeiros fãs de futebol colombiano, que devem ser presos e jogados na cadeia".

Como fãs de futebol e amantes de um jogo limpo, justo e com fim de trazer alegria a todos, esperamos que casos assim jamais se repitam.

 

Acesse nossa página de apostas em futebol para aproveitar o melhor dos campeonatos europeus!