O Brasil é um dos países onde a prática de esportes eletrônicos está se tornando cada vez mais popular, atingindo pessoas do norte ao sul. Mas, apesar desse boom de atletas, o estudo sobre esses profissionais e sobre as modalidades de Esports ainda é bem escasso. Por exemplo: quais cidades são os pólos dos jogadores? Qual região mais investe na área?

O nosso time de esports bets, curioso com o crescimento da modalidade que tem sido cada vez mais assunto nas grandes mídias e a fim de montar estudos sobre o assunto, fez uma pesquisa e levantou as regiões do país onde nasceram alguns dos principais nomes dos cenários de Counter-Strike: Global Offensive (CS:GO), League of Legends, Rainbow Six: Siege (R6) e Free Fire. Foram coletados dados de 140 profissionais que, além de atuarem nas principais ligas do país, disputam as maiores competições do cenário mundo afora.

Counter-Strike: Global Offensive (CS:GO)

Entre os atletas de Counter-Strike: Global Offensive, a maioria esmagadora nasceu e cresceu no Sudeste, que levou o primeiro lugar com folga em cima das regiões Sul, Nordeste e Centro-Oeste. 

media

O desfalque nesta modalidade foi a região Norte, não representado por nenhum dos entrevistados.

Rainbow Six: Siege (R6)

O cenário é bem parecido quando o assunto são os atletas de Rainbow Six: Siege, que predominantemente nasceram nas regiões Sudeste e Sul. Norte e Centro-Oeste somaram, ao todo, somente seis talentos, enquanto o Nordeste não teve nenhuma representação.

media

A predominância das regiões Sudeste e Sul na regionalidade dos atletas de CS:GO e R6 é normal, principalmente se levar em consideração que são dois jogos pagos. No caso do título da Valve, ainda é possível jogar de maneira gratuita, com algumas limitações, o que não acontece no caso do jogo da Ubisoft - é preciso pagar um valor considerável se quiser jogar. 

League of Legends

League of Legends seguiu um caminho diferente. A modalidade registrou pelo menos um atleta de cada região do país. Entre os nomes que se destacam no League of Legends, 76,7% nasceu no Sudeste, enquanto os outros 23,3% representam as demais regiões.

media

Free Fire

Entre os atletas de Free Fire, o Sudeste também levou o primeiro lugar, mas com pouca diferença em relação às regiões Norte e Nordeste, que pela primeira vez se sobressaíram em comparação às demais.

media

Não à toa, League of Legends e Free Fire são mais populares nas regiões Norte e Nordeste, onde o poder de compra é menor. Os dois jogos são gratuitos e, diferente dos concorrentes, não exigem uma máquina muito potente. O Free Fire é ainda mais democrático por se tratar de um jogo mobile. O battle royale da Garena é um dos jogos mais populares do país e carrega a maior audiência dos eSports em solo brasileiro justamente pelo fácil acesso.

Por dentro das análises

Entre as regiões, a que mais formou atletas foi a região Sudeste, com 58% dos representantes. São Paulo, não à toa considerado o polo dos esportes eletrônicos no Brasil, é o berço da maioria dos talentos do país. As regiões Sul, Norte, Nordeste e Centro-Oeste, nessa mesma ordem, aparecem representadas por um número bem parecido de atletas (17%, 9%, 8%, 6%, respectivamente). 

Minas Gerais e Rio de Janeiro dividem o protagonismo com São Paulo no Sudeste, enquanto o Paraná formou mais atletas no Sul. O Amazonas se destaca na região Norte; a Bahia no Nordeste e o Distrito Federal no Centro-Oeste. 

media

Há vários fatores que explicam a força da região Sudeste, responsável pela formação do maior número de atletas brasileiros. 

Infraestrutura é um dos grandes motivos. São Paulo e Rio de Janeiro recebem, há anos, os principais eventos de Esports. Isso significa que, desde cedo, tanto o paulista, quanto o carioca, têm acesso ao cenário competitivo, o que ainda é algo mais restrito às regiões e estados mais bem desenvolvidos. Além disso, também são nesses estados que tecnologias e uma melhor conexão à internet estão mais à disposição da população. 

O Sul não tem um cenário tão desenvolvido, mas se destaca pela infraestrutura, algo que não favorece tanto a região Norte do país, por exemplo. Apesar disso, a região Norte é  responsável pela formação de grandes nomes, como o tricampeão brasileiro de League of Legends Alexandre “TitaN” e pela organização apelidada de AmazonCripz, que disputa a Série A da Liga Brasileira de Free Fire, a competição de esportes eletrônicos mais popular do país, segundo a Pesquisa Game Brasil 2021. 

Ou seja: embora carente de infraestrutura, incentivos o Norte tem de sobra. O engajamento da comunidade, aliado ao apoio do governo, faz com que a região se destaque no cenário de eSports. 

Um exemplo disso é que, recentemente, no dia 18 de outubro, o prefeito de Manaus, David Almeida, sancionou a Lei nº 188/2021, que reconhece os jogos eletrônicos como modalidade esportiva, favorecendo não somente os atletas, mas toda a capital do Amazonas.

O modelo adotado pelo Norte, onde com “pouco se faz muito”, deve servir de espelho para o Nordeste, por exemplo, que é maior e possui mais estados, mas formou menos atletas. 

No Nordeste, o foco dos Esports é na Bahia. No estado ocorreu grandes iniciativas, como a holding BDS que, além de fomentar o cenário, tem como objetivo a formação de talentos para atuação nos bastidores, quebrando o paradigma de que os profissionais que atuam nos diversos segmentos dos esportes eletrônicos precisam ter nascido nas regiões mais bem desenvolvidas.

A região Centro-Oeste é bem desenvolvida, mas formou poucos talentos devido à falta de incentivo - o que tem mudado com o investimento de organizações nacionais como Rensga e TropiCaos, que abraçaram o regionalismo e têm fomentado o cenário.

O que os atletas dizem

Renato “nak”, uma das lendas do Counter-Strike, quase desistiu da carreira competitiva na época do CS 1.6. nak foi multicampeão na modalidade vestindo a camisa do MIBR e atualmente faz parte da comissão técnica do time. Depois de muito tempo, ele reflete que “se não morasse em São Paulo, não teria seguido a carreira de jogador profissional, já que as melhores oportunidades estavam na capital”, afirma com exclusividade à Betway.

Gustavo “yel”, da Bahia, e Bruna “bizinha”, do Rio de Janeiro, também do MIBR,  mudaram-se para São Paulo para poderem começar a construir suas carreiras e abraçar oportunidades que não conseguiriam caso continuassem onde nasceram e cresceram.

Os Esports estão cada vez mais democráticos, fazendo-se presente em praticamente todo o país. O Sudeste, especialmente São Paulo, tem o seu protagonismo como o polo da modalidade, onde estão as principais equipes, organizações e empresas que fazem o cenário girar, mas as outras regiões e estados do país estão correndo atrás e aos poucos vêm conquistando espaço nessa cena enorme que tem tudo para crescer cada vez mais nos próximos anos. Mesmo que a diferença entre as regiões fique evidente na teoria, a tendência é que fique cada vez menor na prática, principalmente com o surgimento de iniciativas que partem da própria comunidade, que nada mais é do que o reflexo dos esportes eletrônicos.