Foi-se o tempo em que os esportes eletrônicos não eram reconhecidos como prática esportiva. Bem como no esporte tradicional, cada modalidade tem seu diferencial, principalmente no que se diz respeito aos equipamentos utilizados pelos atletas. Há, claro, periféricos que são melhores do que outros, assim como aqueles que são específicos para uma modalidade, da mesma maneira que são dispensáveis para outras.

Mas existe uma combinação certa ou periféricos ideais para mandar bem nas partidas? De olho no assunto, nosso time de eSports bets foi atrás de entender quais marcas e equipamentos são usados pelos profissionais de quatro modalidades: Counter-Strike: Global Offensive (CS:GO), Fortnite, VALORANT e Rainbow Six: Siege (R6). 

Ao todo, reunimos dados de mais de 100 jogadores de equipes como Ninjas in Pyjamas, BIG, Invictus Gaming, entre outras. De acordo com a preferência de grandes nomes do cenário competitivo como REZ, Plopski, hampus, shz, danoco, exit, XANTARES, tiziaN, tabseN, syrsoN, k1to, entre outros, montamos infográficos que, além das preferências, também mostram o preço dos periféricos e as marcas favoritas entre os competidores. Confira!

CS:GO

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Logitech e HyperX configuram-se como as marcas favoritas entre os jogadores do FPS desenvolvido pela Valve. O “boom” da Logitech, principalmente no mercado de mouses e mousepads, deu-se muito pelos lançamentos mais recentes de equipamentos sem fio - o que extingue, por exemplo, o gasto com um mouse bungee.

O Logitech G Pro em sua versão mais atualizada é o queridinho entre os profissionais por todo o conjunto da obra: traz a praticidade de um equipamento sem fio e a qualidade de uma marca conceituada. 

Por outro lado, HyperX ganhando destaque entre teclados e headsets não é novidade: a marca investe muito nos dois segmentos e, principalmente no quesito áudio, tem se destacado cada vez mais - não é à toa que o Alloy FPS Pro é um dos fones prediletos dos jogadores.

Zowie e Corsair foram outras marcas adoradas pelo público do Counter-Strike, muito mais pela qualidade que entrega do que por qualquer outro motivo, uma vez que alguns produtos não são tão acessíveis. Corsair, inclusive, é uma das patrocinadoras da BIG e todo o elenco faz questão de usar os produtos da empresa. Dentre as demais equipes, o quinteto formado por Johannes “tabseN”, Tizian “tiziaN”, Ismailcan “XANTARES”, Florian “syrsoN” e Nils “k1to” é o único que utiliza periféricos iguais dentro e fora das competições. 

Em termos de custo, por se tratar de um jogo “ok”, o CS:GO não demanda muito de periféricos caros, principalmente se você quer se divertir no casual. Existem também marcas brasileiras como a Redragon e a Fallen Gear, que entregam equipamentos de qualidade e com um preço mais baixo em relação aos demais. 

Fortnite

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Fortnite é um fenômeno quando o assunto é o battle royale da Epic - mas não só o jogo é pesado, como também o preço dos equipamentos favoritos dos jogadores profissionais. Entre os mais escolhidos, a maioria dos periféricos só podem ser comprados em territórios internacionais.

De um modo geral, Logitech e HyperX ainda aparecem como boas escolhas, principalmente se você não deseja arriscar uma importação ou compra com terceiros. Durante as pesquisas, foi notado que, principalmente no Fortnite, há muita procura por mouses mais leves, que não necessariamente sejam sem fio. Da mesma maneira, a procura por teclado cada vez menores é muito bem representada aqui. 

Devido a maioria dos grandes jogadores atuarem no exterior, eles optam por marcas e equipamentos que, lá fora, são de muita qualidade e custam um valor considerável. Fortnite é um jogo característico e, claro, além de uma boa máquina, bons equipamentos também ajudam na dinâmica das partidas. 

Entretanto, não é necessário desembolsar rios de dinheiro para uma jogatina casual também nesse caso. 

VALORANT

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Lançado no último ano, o FPS da Riot Games é mais simples que os demais. Isso quer dizer que, no geral, é um dos jogos que menos exige uma máquina potente ou periféricos muito caros. Mas as escolhas não são muito diferentes se colocadas lado a lado com o que temos no CS:GO. 

Em linhas gerais, isso ocorre em grande parte porque a maioria dos profissionais do VALORANT vieram de outros jogos: além do CS:GO, tivemos uma migração de jogadores dos cenários de Point Blank, CrossFire, Overwatch, League of Legends, Rainbow Six: Siege, Zula, entre outros. 

Redragon e Fallen Gear novamente aparecem como boas opções para quem deseja um equipamento mais barato. Mesmo não se destacando com frequência nos segmentos de teclados e mouses, trazem boas opções que podem deixar o barato ainda mais cabível no bolso. 

Rainbow Six: Siege

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Entre os listados, Rainbow Six é o único jogo que você precisa comprar para jogar. Embora o CS:GO com todas as funcionalidades liberadas seja pago, existe a opção que permite baixar e jogar sem desembolsar nenhum valor. Isso, além da necessidade de um computador mais potente para rodar o jogo, torna-o menos popular que os demais da lista. Porém, não é porque o jogo exige uma máquina mais parruda que os equipamentos para jogar precisam ser os mais caros. 

Muito pelo contrário. Indo no mesmo caminho nos demais FPS citados anteriormente, pode-se jogar com bons equipamentos, mas sem gastar muito. Mais uma vez opções do mercado brasileiro são boas escolhas, assim como as alternativas mais baratas de marcas como Logitech e HyperX. 

Diferentemente dos demais jogos de tiro mencionados, o Rainbow Six exige uma estratégia e atenção maior durante as partidas; o equipamento de áudio faz toda a diferença, portanto. Isso explica a presença do Astro A40, um dos headsets mais caros e profissionais da atualidade, entre os preferidos. Em linhas gerais, este se configura como um dos produtos de mais alto valor entre todos levantados durante as pesquisas.

Mas, afinal, qual o setup dos sonhos?

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O setup dos sonhos, no final das contas, é aquele que você se sentir mais confortável em montar. Hoje, o mercado entrega inúmeras opções e tecnologias acessíveis para vários públicos. Existem aquelas pessoas que optam por montar um setup com periféricos de uma única marca e aqueles que variam de acordo com as funcionalidades que os produtos entregam. Mas, no final das contas, o que vale é o que encaixar melhor no seu estilo de jogo e, claro, no seu orçamento. 

Mouses sem fio são os queridinhos da galera, mas existem várias opções com fio que satisfazem bem, como a maioria dos mencionados acima. O mais importante na hora da escolha, além de pensar se vai agradar ou não, é entender o formato da sua pegada: Palm, Claw ou Fingertip. 

O grande ponto na hora de escolher um teclado - neste caso, sempre mecânico - é o seu switcher. Existem inúmeras opções no mercado e são principalmente identificados por cores: azul, vermelho, roxo, preto e marrom. 

Os mais comuns são os azuis e vermelhos, sendo o azul uma boa opção para quem gosta de algo confortável e barulhento e o vermelho para quem joga FPS e precisa de algo mais rápido e preciso. O marrom, um meio-termo entre os dois, é uma opção silenciosa e de ótimo custo-benefício, enquanto o roxo, também silencioso, custa um pouco mais por uma experiência mais avançada. O preto, um dos menos populares, entrega uma experiência barulhenta e teclas mais pesadas: é, sem dúvidas, uma das opções mais brutas. 

Existem também várias opções de mousepads no mercado. Os mais populares no momento são os estendidos, que costumam tomar toda a mesa. Mas os grandes, médios e pequenos ainda são vendidos normalmente, uma vez que ainda aparecem como boas opções para um determinado público. 

O que muitos deixam passar despercebido na hora de escolher o mousepad é o tipo de superfície que o material entrega. Os mais comuns são os tipos Speed e Control. Os mousepads de tipo Speed entregam uma superfície mais ágil, que entrega respostas mais rápidas, enquanto o Control é totalmente o contrário.

Tem ainda algumas marcas que já produzem variantes dos modelos Speed, como a Fallen Gear, que possui o Speed+ e Speed++, opções para quem busca algo mais profissional, principalmente para jogos de tiro. 

No caso do headset, é uma peça mais prioritária para jogos FPS e Battle Royale, uma vez que é importante escutar os passos e a movimentação dos adversários, além do som ambiente em alguns casos. 

Em jogos como o popular League of Legends, no final das contas, não importa tanto se o fone de ouvido é muito bom ou, simplesmente, regular. Não jogando jogos de tiro, o competidor pode facilmente optar por opções que seguem a linha mais acessível.

Vale pontuar que headset não é obrigatório na jogatina casual: têm boas opções de fones de ouvido intra auriculares, como o Razer Hammerhead, e outros menos invasivos, que não tomam completamente o canal auditivo, como o HyperX Cloud Earbuds - ambos estão disponíveis no mercado brasileiro.

Antes de mais nada, é bom lembrar que RGB só agrega na apresentação. É bonito? É, mas as famigeradas luzinhas coloridas mais encarecem o produto do que qualquer outra coisa, então opções de cor única ou sem muito brilho acabam sendo mais baratas. 

Fisioterapeuta responde: Existem equipamentos ideais para cada modalidade?

Indo direto ao ponto, não existem equipamentos ideais para cada modalidade, mas há periféricos que trazem um conforto maior e que, consequentemente, melhoram a performance do jogador. 

De acordo com o fisioterapeuta, mouses mais leves, com respostas mais rápidas, são grandes aliados dos jogadores, assim como teclados mecânicos e sua variedade de switches. “Existem tecnologias que são pensadas para minimizar possíveis lesões e aumentar a resposta do atleta que passa muito tempo praticando na frente do computador”, afirma o profissional de saúde, que pontua: “Independentemente dos benefícios, não é legal forçar o uso, até porque, se o atleta está acostumado com um equipamento mais pesado, não adianta entregar algo leve na mão dele, a performance não vai ser a mesma”. 

Mais importante do que o equipamento ser leve ou pesado, é válido optar por periféricos que entreguem uma pegada agradável e encaixem bem nas mãos. Isso evita o surgimento de lesões, que acabam gerando uma série de alterações no comportamento, irritação com mais facilidade e, consequentemente, atrapalham na desenvoltura dentro do jogo. 

Mas além de escolher os equipamentos certos, é importante também tomar cuidado com a rotina na frente do computador. Por isso, a recomendação do profissional de saúde é fazer pausas regulares. 

Depois de duas a três horas jogando, é importante interromper, dar uma alongada e espairecer a mente - afinal, o psicológico caminha lado a lado com o corpo. Dando esses respiros e respeitando seu tempo e limites, você previne lesões e possíveis dores que podem surgir ao longo da rotina.

Agora que você já sabe tudo sobre os equipamentos escolhidos pelos profissionais de alguns dos principais jogos fica a questão: o seu setup está no páreo ou precisa dar aquela turbinada?