Com a mudança de formato em 2021 no Campeonato Brasileiro de League of Legends (CBLOL), o sistema de Academy foi implementado na liga e todos os 10 times da franquia possuem uma equipe na categoria, que é totalmente voltada para desenvolvimento de novos talentos. Veja como funciona e qual a importância desse sistema de Academy no Brasil que precisava dessa mudança no cenário há um bom tempo.

O que é uma Academy?

A parte Academy da liga são jogadores que estão em treinamento das equipes, normalmente composto por novos nomes misturados com um ou dois pro players mais experientes, que vão auxiliar no desenvolvimento desses novos talentos. Assim, esses times jogam a temporada em um formato similar ao CBLOL, garantindo uma experiência mais próxima possível.

No entanto, o grande destaque desse sistema é que jogadores que tiverem um bom desempenho no Academy podem jogar o CBLOL na rodada seguinte se o time desejar, mas um jogador do CBLOL só poderá jogar a Academy duas semanas depois – inibindo uma alteração surpresa de um jogador de nível competitivo maior antes da rodada começar.

Esse sistema funciona muito bem e trouxe bons resultados para algumas equipes já no 1º split do CBLOL 2021, que pegaram jogadores do Academy para disputar a competição principal e conseguiram algumas vitórias com a mudança, como a Rensga com Leonardo "Erasus" Faria e Vinícius "bydeki" Hideki, LOUD com Mateus "Mewkyo" Ferraz e FURIA Esports com Pedro Lucas "Beenie" Rodrigues e William "Tyrin" Portugal.

Qual a importância desse sistema no Brasil?

Desde 2012, em que os torneio brasileiro foi implementado, o cenário nunca contou com um espaço exclusivo para o desenvolvimento desses talentos, pois a grande maioria deles precisavam entrar em times amadores para tentar uma vaga na elite, com isso pessoas que já eram conhecidas por suas habilidades conseguiam sempre se manter nos holofotes, enquanto muitos jogadores iniciantes precisavam lutar muito para chegar até lá – e ainda sem a garantia de conquistar a vaga.

Ao longo desses anos, muitos jogadores de Tier 2 eram convocados para times amadores em busca de vaga no Circuito Desafiante, criado em 2015, e posteriormente saíam do time, criando uma rotação de times diferentes com os mesmos jogadores classificados. Isso acabava virando um tipo de barreira, em que sempre os mesmos nomes estavam presentes no Desafiante.

Isso foi mudando um pouco com a aposentadoria de alguns jogadores, porém realmente mudou com esse sistema de franquia. Para exemplificar, só no 1º split do Academy a grande maioria são nomes que apareceram pela primeira vez em um evento oficial da Riot, sendo que saíram de equipes amadoras ou da própria fila ranqueada.

Todo esse ciclo que se iniciou em 2021 não trará resultados de imediato, pois é um projeto de desenvolvimento e só representará resultados firmes em anos, porém ajudará a criar uma rotação de jogadores com novos nomes e talentos no cenário.

Programas de desenvolvimento anteriores

Curiosamente, um programa dessa categoria foi implementado pela CNB Esports Club chamado “Preparando Campeões” em 2016, em que eles selecionavam jogadores das filas ranqueadas que se inscreviam e treinavam para virar profissionais – basicamente a proposta que uma Academy possui, mas de maneira interna para o próprio time.

Alguns destaques são Yan "Yampi" Petermann, atual jogador da Vorax Liberty, e João Luis "Marf" Piola que atualmente está na Rensga Academy, mas já foi campeão brasileiro em 2017 pela Team One. Outros nomes como Leonardo "Erasus" Faria e Vinícius "bydeki" Hideki, atualmente na Rensga, também estão entre os participantes do programa no passado.

Regiões que utilizam o mesmo formato

O sistema Academy foi implementado anteriormente em regiões Tier 1 como América do Norte (2018), China (2018) e mais recentemente na Coreia do Sul (2020), com algumas revelações de jogadores de impacto no cenário competitivo de suas respectivas regiões ou até exportações.

Começando pela América do Norte, que tem mais tempo, alguns jogadores que atualmente estão como titulares na League Championship Series (LCS) e que disputaram a Academy em 2020 são: Aaron "FakeGod" Lee (Dignitas), David "Diamond" Bérubé (FlyQuest), Edward "Tactical" Ra (Team Liquid), Mingyi "Spica" Lu (Team SoloMid) e Nicholas Antonio "Ablazeolive" Abbott (Golden Guardians).

Já na China, Peng "XUN" Li-Xun (Invictus Gaming), Huang "Lpc" Hao (JD Gaming), Lin "Creme" Jian (Oh My God), Guo "Stay" Yi-Yang (Team WE) e Zou "Assum" Wei (Suning) são alguns dos jogadores que estão atualmente na ativa pela LoL Pro League (LPL).

Por fim, mesmo sendo recente, o Academy da Coreia já enviou alguns jogadores para a liga principal como Moon "Oner" Hyeon-joon (T1), Noh "Burdol" Tae-yoon (Gen.G), Jeong "BAO" Hyeon-woo (DRX) e até exportou o suporte Jeong "Serenity" Min-seok para a Kaos Latin Gamers na América Latina.

Mas voltando para o Brasil, é interessante esse sistema de Academy implementado, mesmo que um pouco tardio, e as mudanças vão ser vistas melhor nos próximos anos, principalmente quando começar uma renovação de pro players com a entrada desses novos nomes. E os times que implementarem melhor vão ser os mais bem sucedidos, pois nessa ocasião o esporte eletrônico funciona igual ao esporte tradicional: quem trabalha melhor a base é o time vitorioso por muitos anos.

Vale lembrar que o 2º split de League of Legends competitivo retorna no Brasil em junho, com o Academy a partir do dia 8 (às terças e quartas-feiras) e o CBLOL a partir do dia 6 (aos sábados e domingos).

O CBLOL retorna em junho, junto com o calendário competitivo de todas as outras regiões, então aproveite para acompanhar de perto e fazer suas apostas. Para isso, visite a página bets LoL.