Com tecnologias como carros autônomos e conexão 5G deixando de serem hipóteses e se tornando cada vez mais acessíveis, uma das coisas que passa pela cabeça de muita gente é: como serão as cidades do futuro? De fato, é uma pergunta abrangente e que dificilmente tem uma única resposta. No entanto, há projetos urbanos que começam a dar uma ideia do que esperar para alguns anos.

Um deles é o projeto The Line, que fará parte de um complexo de cidades inteligentes chamado Neom, que ficará localizado na província de Tabuk, na Arábia Saudita. A proposta é que a cidade seja uma rival direta à Dubai, considerada a capital de negócios e turismo da Arábia Saudita, e para chegar à grandiosidade da irmã mais velha, não serão poupados esforços - ou dinheiro. A previsão é que a construção de Neom, que terá mais ou menos o tamanho da Bélgica, custará USD 360 bilhões e ficará pronto até 2030.

A ideia é que a cidade seja construída em uma linha reta de comprimento aproximado de 170 km. Digna de ficção científica, The Line promete ter zero carros, zero ruas e zero emissão de carbono, sendo que seria possível fazer tudo a 5 minutos de caminhada e, se quiser, percorrer toda a cidade em até 20 minutos.

A proposta vai de acordo com a mesma ideia por trás de cidades como Paris e Barcelona, que foram planejadas para serem de fácil acesso para pedestres e não carros - um conceito completamente oposto a lugares como Los Angeles, por exemplo, em que andar a pé é quase impossível. Para poder fazer tudo a pé, The Line contará com serviços básicos disponíveis em um raio de 5 km de distância.

Além disso, a energia será renovável, cumprindo a promessa de ser carbono-zero, e tudo será controlado por inteligência artificial. Outro fator importante é que a infraestrutura da cidade será subterrânea, ou seja, água, gás, luz e transportes ficarão embaixo da cidade.

Falando em transporte, The Line contaria com uma espinha dorsal em formato de um hyperloop, um trem de alta velocidade que transportaria seus passageiros para outras localidades - no caso, os outros módulos que integrariam o complexo. A estimativa é que o trem seria capaz de atingir 500 km/h, completando assim, a meta de 170 km em 20 minutos.

The Line é possível?

Desde que foi lançado em janeiro, o projeto causou descrença e, de fato, há motivos para suspeitar se isso se tornará realidade. No geral, não é que o problema é que essas tecnologias são impossíveis, mas o prazo estipulado para pô-las em prática parece irreal - a começar pelo hyperloop.

Alguns dos projetos mais avançados de hyperloops estão desenvolvendo o transporte há algum tempo - e tudo indica que ainda há um bom caminho pela frente até ficar pronto. Um deles é o Virgin Hyperloop, colaboração entre Elon Musk e Richard Branson. Apesar de já terem realizado o primeiro teste humano em novembro de 2020, a velocidade e distância percorrida ainda estão aquém - somente 500 metros a 160 km/h.

Vale destacar também o fato de que hyperloops não são, por enquanto pelo menos, o transporte mais confortável. Compactos e até claustrofóbicos, eles podem até prometer uma viagem rápida, mas provavelmente sofrida - algo que alguém capaz de garantir um lugar na cidade do futuro não esteja disposto a passar. Além disso, tudo indica que levará um tempo até que o transporte disponha de uma viagem de luxo.

Outra questão que pode pôr o projeto em cheque é o fornecimento de água. A proposta é que The Line se localize no canto noroeste da Arábia Saudita, que é praticamente intocada. Isso significa que o acesso à água, essencial para a construção do complexo e sua manutenção, é limitado e quase impossível. No momento, tanques do líquido estão sendo transportados por centenas de quilômetros de portos como o de Jeddah. Não é preciso nem dizer que essa solução não é sustentável no longo prazo.

Há outros projetos semelhantes?

Nos Emirados Árabes Unidos, mais precisamente em Abu Dhabi, foi construída uma cidade com uma proposta parecida com The Line - mas menos tecnológica. O diferencial de Masdar City é ser um polo de energia renovável, uma vez que toda a cidade é pensada em torno disso.

Para se ter uma ideia, prédios foram construídos próximos para ser mais amigável para os pedestres, assim como para amenizar o calor que faz na região. Além disso, todos os prédios têm elevadores, que são meio escondidos, mas as escadas que têm mais destaque, uma forma de incentivar o seu uso. Vale destacar os campos de placas solares, que à distância podem parecer um grande lago azul, e de moinhos de energia eólica, que abastecem a cidade.

Masdar City, que custou por volta de USD 22 bilhões, começou a ser construída em 2008 e, dois anos depois, já liberou para começar a sua ocupação. A previsão era de 50 mil pessoas vivendo por ali, mas a realidade é que ela mal ultrapassou alguns milhares, se assemelhando a uma verdadeira cidade fantasma.

Pelo visto teremos que esperar um pouco mais para ver cidades do futuro funcionamento a pleno vapor.

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