Já imaginou ter todas as funções dos seus aplicativos mais usados em um único lugar? Por exemplo: a conta do seu banco digital, os meios de pagamento, WhatsApp, deliveries e mais em um único aplicativo! Parece impossível, mas não é. Até porque esse tipo de solução já existe - só ainda não chegou ao Brasil. Estamos falando dos superapps!

Superapps: o que são e qual é a vantagem deles?

Os superapps são aplicativos que, como já exemplificado, oferecem diversos tipos de funcionalidades em um só lugar, o que ajuda a fazer o público voltar mais vezes para o aplicativo e ao mesmo tempo concentrar todas as suas informações e necessidades nele.

Quando falamos dos clientes, uma das principais vantagens ao usar um superapp é exatamente a quantidade reduzida de etapas para realizar tarefas. Em outras palavras, não é preciso navegar em inúmeros aplicativos, cada um com seus atalhos e experiências diferentes, e ter várias contas, logins e senhas: uma já basta. Essa facilidade representa uma considerável economia de tempo para o usuário, que consegue fazer várias coisas em um só lugar. Mas não é só!

A outra vantagem do superapp mexe direto com o bolso dos clientes. Afinal, como não é preciso assinar vários serviços ou ter gastos distribuídos em lugares diferentes, os custos podem sofrer uma redução considerável, o que é mais um motivo para fidelizar o público.

Com todas essas vantagens, você pode estar se perguntando: mas como eu consigo um desses?

A origem dos superapps (e seus perigos)

Se você não está familiarizado com essa tecnologia, não se sinta por fora: aqui no Ocidente ela ainda é novidade. Os superapps começaram a surgir em 2011 na China, fortalecendo-se no mercado interno e em países vizinhos, como a Índia.

É aqui que mora uma das principais diferenças entre os aplicativos que conhecemos e os superapps: enquanto nos EUA e em outros países como o Brasil o foco é desenvolver a solução de forma vertical, ou seja mirando no exterior, na China ele é horizontal. Para ficar claro, a estratégia utilizada foca no crescimento em um lugar específico e, uma vez que esse mercado for dominado, ele vai para o próximo e assim por diante. Foi assim que vários superapps tomaram boa parte do Oriente e o motivo pelo qual ainda não chegaram aqui - mas é tudo questão de tempo. 

Para entender ainda melhor a febre e origem dos superapps, nada como conhecer a história do primeiro deles: o WeChat.

Onde tudo começou: WeChat

O WeChat começou similar ao que hoje é o WhatsApp: um aplicativo de mensagens, tanto de texto como de voz. Mas a Tencent, empresa por trás da empreitada, viu que o potencial da solução era muito maior. Conforme a rede foi ganhando usuários, novas funcionalidades começaram a ser acrescentadas e, em pouco mais de 8 anos, o programa de mensagens se tornou o super aplicativo sem o qual os chineses não conseguem viver.

Para se ter uma ideia, hoje são mais de 1 bilhão de pessoas que o usam diariamente para todo o tipo de tarefa. Confira algumas das soluções oferecidas pelo WeChat: acesso a serviços públicos, agendamento de consulta médica, transferência de dinheiro. aluguel de bicicleta, agendamento de voos, entrega de comida, compras de grandes redes, entre (muitas) outras. Além disso, ele também tem uma parceria com o governo chinês para armazenar a identidade digital da população, o que é bem útil, mas pode ter seus sinais de alerta também.

Os perigos do superapp

Como já foi explicado, de fato os superapps apresentam uma praticidade incrível. Ao mesmo tempo, ele também traz alguns perigos. O primeiro deles é o monopólio do mercado e, o pior, em vários setores de uma vez. Pois é, já imaginou ter um único canal que oferece todas as funcionalidades do WeChat, por exemplo? Isso pode fazer com que os valores desse serviço não sofram com a concorrência, sendo mais altos do que seria justo.

O segundo perigo é outro tipo de monopólio: o de dados. Uma empresa com tantos dados sobre a vida de cada um dos seus clientes tem o potencial para se tornar absurdamente poderosa, podendo não só prever tendências dos consumidores como influenciá-los como quiser. No caso da China, por exemplo, a preocupação é que o WeChat ajude o governo no score de crédito social, sistema que dá uma nota a cada cidadão conforme suas atitudes - em outras palavras, um Big Brother da vida real.

O Brasil tem um superapp?

Ainda não, mas está caminhando para ter. O que aconteceu até então foi uma expansão vertical, como comentado anteriormente, dos aplicativos com maior projeção, ou seja, com foco em entrar em mais mercados rapidamente do que dominar um por vez. De qualquer forma, se você perceber, vários deles estão mostrando sinais de querer seguir os passos da chinesa WeChat, agregando funcionalidades novas aos seus serviços básicos - como o Uber e o Uber Eats, o WhatsApp e a tentativa constante de liberar a realização de pagamentos via mensagem e por aí vai.

Alguns aplicativos famosos no país que já sinalizaram que planejam virar superapps são a Magazine Luiza, que ainda está em uma fase de planejamento, e a Rappi, que já toma passos promissores em direção a esse objetivo.

Apesar de ser considerada um superapp na Colômbia, seu país de origem, a Rappi ainda está percorrendo esse caminho no Brasil. Seu início contou principalmente com o serviço de entrega de comida, o que expandiu para supermercado, farmácia e lojas parceiras diversas que vão desde moda íntima até petshops. Hoje, o aplicativo não se resume mais a entregas, oferecendo serviços, como cabeleireiro a domicílio, aluguel de patinete e mais.

Mas talvez as funcionalidades mais promissoras quando o assunto é virar ou não um superapp são o botão "Qualquer coisa", a partir do qual o cliente pode pedir qualquer coisa que não é oferecido no aplicativo, e a possibilidade de ter uma carteira digital, chamada de Rappi Pay (que funciona via QR Code).

Por que ainda não temos um superapp?

Apesar de todas essas frentes de atuação, a Rappi e as outras empresas que têm interesse em ser o superapp dos brasileiros terão que enfrentar outro desafio: o próprio público. Segundo o Google, 81% dos brasileiros não sabe o que são superapps e depois de entenderem do que se trata, somente 45% afirmou que toparia instalar.

O principal motivo para a resposta positiva foi a praticidade tanto de ter tudo em um lugar só como no uso reduzido da memória do celular. Mas outra questão também é tema: o receio em torno da segurança do aplicativo também preocupa muitos potenciais usuários. Afinal, para guardar tantas informações assim sobre cada pessoa é imprescindível que os dados estejam seguros e à prova de vazamentos.

E você, teria um superapp? Enquanto esse momento não chega, não deixe de se divertir com o nosso caça níquel online.