De alguns anos para cá, o termo startup caiu na boca do povo e parece que qualquer negócio um pouco mais descolado é uma. Mas não é bem assim. Até porque uma empresa pode nascer como uma startup, mas em pouco tempo pode simplesmente deixar de ser… Não entendeu? Não se preocupe: ao longo deste artigo você vai saber tudo sobre o que é e o que faz uma startup.

O que é uma startup 

A definição do que é uma startup não é algo escrito em pedra, há muitas divergências sobre o assunto. Aqui, vamos partir de alguns requisitos mais comuns e aceitos no mercado para ajudar a explicar esse tipo de empresa. Eles são:

Ter um modelo de negócios repetível e escalável

Vamos por partes! Antes de tudo é preciso entender que um modelo de negócios não é um plano de negócios. Enquanto o plano de negócios é a forma de medir a saúde da empresa e planejar o seu futuro, o modelo é totalmente sobre o produto dela. Em outras palavras, em como será a solução do seu negócio.

Em um modelo de negócios repetível, a solução deve poder ser reproduzida inúmeras vezes, sem precisar alterações. Basicamente, ela deve atender vários clientes sem precisar de mudanças ou exigir um esforço maior da empresa para atingir muitas pessoas. 

Ser repetível também está muito ligado ao negócio ser escalável. Afinal, um negócio escalável é o que consegue crescer muito, com um bom aumento de receita e um crescimento muito menor de custos, fazendo com que seja muito lucrativo.

Um exemplo de modelo de negócio repetível e escalável é a indústria da música. Antes, se os negócios que vendiam CDs quisessem crescer, era preciso investir em uma infraestrutura maior, com mais máquinas, etc. Em outras palavras, para vender mais era preciso aumentar a empresa de forma proporcional. Hoje, os serviços de streaming vendem inúmeros álbuns de música sem precisar de fábricas e lojas de música: é tudo feito no mesmo aplicativo que o mundo inteiro usa - sem modificações para cada tipo de consumidor.

Enfrentar incertezas com soluções em desenvolvimento

Para conseguir ser repetível e escalável, uma startup geralmente enfrenta muitas incertezas. Ela precisa pensar fora da caixa para conseguir fazer o máximo com o mínimo e, para isso, algumas questões - como se é possível, se a solução é útil, se há demanda - ficam em aberto.

Outra característica do cenário de incertezas é a pressa, pois o risco é tão alto que faz com que qualquer erro possa significar o fim do negócio. Como não é possível evitar completamente os tropeços ao longo do caminho, criou-se a máxima do Fail Fast, ou Falhe Rápido. Segundo ela, é preciso tentar seguir uma estratégia e, se não der certo, identificar sem demorar e pensar em algo novo o mais rápido possível. Parte dessa fórmula é criar um MVP, um produto mínimo viável - que nada mais é do que uma versão simplificada da solução - e testar no mercado.

Contar com inovação, o grande diferencial

Por fim, o fator inovação acaba sendo um divisor de barreiras entre empresas comuns e startups. Ao contrário do que se pode pensar, não necessariamente as startups têm que trazer uma tecnologia disruptiva, mas é importante que elas inovem. A inovação pode ser simplesmente a aplicação de uma tecnologia já existente de uma forma completamente inusitada e funcional, por exemplo. É ela que impulsionará o negócio a ser repetível e escalável, com ou sem tecnologias novas.

Além das definições acima, talvez você já tenha ouvido falar que uma startup precisa ser uma empresa jovem. Isso acontece porque é quase impossível uma empresa grande e bem desenvolvida preencher os requisitos acima. Afinal, uma das características mais marcantes das startups, e que viabiliza tudo que foi comentado, é a velocidade dela, tanto para o desenvolvimento de um produto quanto para superar um problema. Já no caso de empresas grandes, as tomadas de decisão são muito mais lentas, o que pode matar uma startup.

Quais os tipos de startups

Já ouviu falar em FinTechs? E EdTechs? Talvez LawTechs? Todas essas são nomenclaturas bem comuns para denominar nichos de atuação das startups. As FinTechs são as financeiras, as EdTechs são da área da educação, LawTechs, de direito e por aí vai.

Além dos nichos, as startups também podem ser separadas por tipos de negócio, como a maioria das empresas, sendo que os principais são três: B2B, B2C, B2B2C.

Como o nome já diz, as empresas B2B (em inglês, Business to Business, e em português, negócios para negócios) fazem produtos para atender problemas de outras empresas. Aqui entram tanto negócios que já nascem com esse propósito quanto os que criam uma vertente depois focada em atender empresas, como o Uber Business, por exemplo.

Já o B2C (em inglês, Business to Customer, e em português, negócios para consumidores) é o tipo de startup que atenderá diretamente o cliente. É o tipo mais comum, com exemplos como Nubank.

Por fim, o B2B2C (em inglês, Business to Business to Customer, e em português, negócios para negócios para consumidores) são empresas que atendem outras empresas e, por meio dessa parceria ou negociação, têm foco no consumidor final. A Rappi é um ótimo exemplo: ela faz parcerias com várias outras empresas (supermercados, lojas, petshops) com o objetivo de conseguir ofertas interessantes para o consumidor final.

Quando uma startup deixa de ser startup

Como mencionado, uma startup pode ser considerado um estado temporário de uma empresa. Ele dura enquanto ela preenche todos os requisitos de incertezas, precisando fazer teste de modelo de negócios e investindo muito dinheiro para acelerar seu crescimento. Isso muda quando ela passa a ser vista como uma empresa consolidada e aqui alguns indicadores são essenciais.

Um deles é a partir do momento que a empresa encontra o seu modelo de negócio e mercado. Desse ponto em diante, as incertezas são reduzidas drasticamente ou então completamente anuladas. Afinal, os produtos já estão definidos e o mercado e público também - três fatores chave para um negócio decolar.

Outro momento decisivo para o fim dessa nomenclatura é o ponto de equilíbrio. Quando uma empresa lucra mais do que gasta, isso é conhecido como breakeven ou ponto de equilíbrio. É um dos momentos mais importantes na trajetória de uma empresa, pois ela passa a poder andar com as próprias pernas. Ele geralmente acontece quando uma empresa deixa de investir rios de dinheiro em seu crescimento acelerado, passando a ter um crescimento normal, o que também é outro sinal.

Muitos se confundem, mas tempo de empresa não é um indicador se uma empresa é ou não uma startup. Há startups que abandonam o status muito cedo por terem recebido muitos investimentos ou então encontrado o modelo de negócios mais rápido. Outras podem demorar mais na fase de testes e acumular alguns anos até achar a resposta certa. No entanto, enquanto as incertezas e a pressa para crescer existirem, ela continua sendo considerada uma startup.

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