É bem provável que você tenha uma lista de senhas: de simples a complexas,. Quanto maior o risco de ter a senha descoberta, mais tentamos dificultar, adicionando padrões aleatórios, com números, letras e caracteres especiais. Mas enquanto nos preocupamos em complexificar as senhas, algo muito mais valioso corre o risco de ser roubado: nosso próprio DNA.

Pois é: o código genético está presente nas pequenas coisas. Se antes para roubar o DNA de alguém era preciso surrupiar uma mecha de cabelo ou um copo com resto de saliva - algo digno de filme - para então submeter a uma análise muito cara, hoje o trabalho é bem menor. Além de exames que coletam material genético, como o de covid que é oferecido em farmácias, está cada vez mais comum a presença de empresas que fazem testes de ancestralidade, para os curiosos que querem saber sobre as próprias origens, e de predisposição a doenças. Nesses casos, o roubo não se trata do material genético em si, mas das informações dele.

Como é possível roubar um DNA?

Antes de tudo, é preciso entender que para compreender nosso DNA, sua estrutura foi padronizada por pesquisadores da área, que a separaram em 4 letras: A (Adenina), C (Citosina), G (Guanina) e T (Timina). Elas são as bases nitrogenadas, ou seja, compostos químicos que podem se repetir e que estão distribuídos em inúmeras ordens possíveis, formando nosso código genético. Em outras palavras, sabendo sua padronização é possível descobrir o DNA de alguém - é exatamente a ordem dessas letras que é a mina de ouro.

Segundo o MIT Technology Review, mais de 26 milhões de pessoas já deram amostras de DNA para exames genéticos ou de ancestralidade somente em 2019 e a previsão é que esse número chegue a mais de 100 milhões até o final de 2021. Enquanto isso, a empresa MyHeritage, que fornece esse tipo de teste, já sofreu uma invasão e os e-mails e senhas de mais de 3 milhões de pessoas vazaram. No caso, nenhuma sequência genética chegou a ser roubada, mas era possível descobrir quem tinha feito o teste, o que, se usado com maestria, pode ser perigoso.

Por que se preocupar

Sejamos sinceros: roubar uma sequência genética não é algo muito útil hoje em dia, mas isso promete mudar e rápido. A questão aqui não é o DNA em si, mas ele combinado com todos os outros dados que estão à disposição. Vamos explicar.

Cada vez mais temos informações importantes disponibilizadas na internet, muitas delas são captadas por empresas que atuam em áreas que vão desde marketing a redes sociais. Se em um primeiro momento pode parecer inofensivo ceder esses dados, com o tempo a situação se complica. Afinal, como já afirmado por diversos estudiosos da área, os dados serão o novo petróleo. Ou seja, as organizações que tiverem mais informações possíveis sobre o público terão mais poder - só que o produto será você.

O DNA entra como mais uma informação disponibilizada e ele pode ser um link importante. No caso, se seu código genético vazar sem nenhum outro dado, como seu nome, não há muito problema, pois ele só descreve como é a sua composição. Mas se mais informações estiverem atreladas já é possível cruzar esses dados e descobrir muito mais. Por exemplo, se você acessa algum lugar por meio de biometria e ela fica associada ao seu e-mail, já é possível descobrir o seu nome cruzando essas informações em outro banco de dados. A partir daí a rede se complexifica, sendo possível saber quem você é, para onde viajou, sua idade, origem, parentescos.

Um exemplo disso aconteceu com uma empresa chamada GEDMatch. Dados genéticos coletados de uma cena de crime foram pesquisados no site da empresa e levaram a parentes do suspeito, que tinham feito o tal do teste de ancestralidade. A partir daí o crime foi resolvido. Apesar do caso ter ajudado na solução de um crime, nada é tão simples.

Antes de tudo há a questão do uso dos dados genéticos sem consentimento. A FamilyTreeDNA e a 23andMe são dois casos de empresas que oferecem esses testes e tomaram atitudes polêmicas. A primeira convocou clientes a cederem o acesso aos seus dados para ajudar na captura de criminosos e a segunda entregou as informações para duas grandes farmacêuticas.

Depois da questão da privacidade, há também a possibilidade de ser criado um perfil genético estigmatizado de pessoas que poderiam ter mais propensão a cometer crimes. Se você gosta de filmes de ficção científica sabe do que se trata e o cenário geralmente não é nada bonito.

Medidas de proteção existem?

A polêmica está longe do fim, mas há medidas sendo tomadas. Uma delas é a criação da LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados), que prevê a privacidade e segurança das informações aqui no Brasil. Segundo ela, qualquer dado que identifique quem você é deve ser considerado sensível, uma vez que pode ser usado contra você. Especificamente sobre DNA, a LGPD afirma que planos de saúde não podem basear sua precificação na sequência genética de seus clientes, por exemplo. Não é muito, mas é um começo.

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