A quantidade de e-lixo que o mundo produz está diretamente relacionada à fabricação dos produtos eletrônicos que usamos no nosso dia a dia. Por isso, é fundamental que as próprias fabricantes tenham ações voltadas para a diminuição dos riscos e impactos dos resíduos eletrônicos no meio ambiente.

A realidade, porém, é diferente. São pouquíssimas as empresas que assumiram algum tipo de compromisso de desenvolvimento sustentável e diminuição de sua pegada ambiental. Alguns dos produtos mais modernos do século 21 ainda utilizam processos de fabricação do século 19, como a utilização de fontes de energia a base de combustível fóssil, práticas de mineração perigosas e produtos com uma vida útil encurtada.

Antes de os eletrônicos chegarem às nossas casas, é preciso um trabalho pesado de mineração de uma série de matérias-primas. Os elementos são extraídos de diferentes lugares e posteriormente são fundidos e refinados para então serem moldados, cortados, aparafusados, colados e soldados. Cada uma das etapas de fabricação requer bastante energia, que despeja dióxido de carbono no ar.

A Apple, por exemplo, estima que 77% de sua pegada de carbono vem da fabricação – outras marcas não fogem muito desse número. A fabricante do iPhone, inclusive, é a única entre as gigantes da tecnologia que assumiu um compromisso público para se tornar mais "verde".

Desde 2014, a companhia publica um relatório de responsabilidade ambiental, e em 2016, eles lançaram um programas de reciclagem de seus produtos, que conta com a ajuda do robô protótipo chamado Daisy, capaz de desmontar 15 modelos diferentes de iPhone.

De acordo com a Apple, a cada 100 mil iPhones desmontados pela Daisy, podem ser reaproveitados até 1,1 quilo de ouro; 6,3 quilos de prata; mil quilos de cobre; 1,4 mil quilos de ferro, 1,5 mil quilos de alumínio, entre outras quantidades de elementos como terra rara, tungstênio, cobalto e estanho.

Levando em consideração que foram vendidos quase 220 milhões de iPhones em 2018, a companhia tem o potencial de recuperar milhões de dólares, sem contar a redução do impacto ambiental.

Atualmente, a companhia diz que alguns de seus modelos de notebook e computadores são fabricados somente com alumínio reciclado. Essa mudança ajudou a cortar a pegada de carbono desses dispositivos quase que pela metade.

As iniciativas da companhia da maçã não estão longe das críticas, no entanto. O processo de reciclagem muitas vezes está concentrado em países em desenvolvimento, que podem contar com condições precárias de trabalho. Além disso, a empresa tem uma política muito restrita para o reparo de seus produtos, o que torna a produção de e-lixo mais acentuada.

O iFixit, uma empresa de reparos de eletrônicos que publica guias de desmonte na internet, costuma dar as piores notas de seu índice de reparo em produtos Apple. A companhia utiliza formatos de parafuso específicos e dificulta a troca dos itens quebrados. Até pouco tempo atrás, a empresa não fornecia peças originais para assistências técnicas independentes, por exemplo, contribuindo para o problema da obsolescência programada – uma das grandes geradoras de e-lixo.

Outra solução possível para o e-lixo está relacionada com um novo modelo de consumo, como defende a empresa alemã Fairphone, que prioriza a transparência, acessibilidade e maior usabilidade em relação a aparelhos caros.

A Fairphone diz que o seu produto é “um celular que foi feito para durar”. Até agora, já foram lançadas três gerações do celular e a última conta com um sistema de sete módulos para permitir que o próprio consumidor possa realizar reparos quando for necessário.

Entre os módulos estão a tela, as câmeras traseiras e a câmera frontal, bateria, entre outros componentes. A ideia dos módulos não é customizar ou melhorar as peças, como podemos fazer em um computador. O objetivo da marca, no entanto, é oferecer ao consumidor uma maneira fácil de consertar as peças se elas quebrarem. Na caixa, inclusive, vem um manual com as instruções de reparo. O iFixit deu nota máxima no índice de reparo.

A promessa é que o esse smartphone dure entre cinco e sete anos, muito mais do que os 18 meses estimados para o restante dos celulares. Esse modelo de negócios, no entanto, ainda tem muitos desafios. Segundo a empresa, foi preciso remodelar parte da estratégia porque a indústria como um todo não está preparada para projetos sustentáveis. Eles citam falta de suporte para os componentes e software dentro de uma janela de aproximadamente dois anos. Para contornar o problema e cumprir a promessa de durabilidade, compraram um estoque de componentes e parcerias.

A Fairphone também se compromete em adquirir seus materiais de forma responsável – como ao usar cobre e plásticos reciclados e materiais livres de conflitos – e oferece benefícios para os clientes que reciclarem seus smartphones com eles.  O produto é vendido somente na Europa com preço sugerido de 450 euros, aproximadamente R$ 2.100.

As duas empresas, Apple e Fairphone, são as líderes do Guia de Eletrônicos Verdes do Greenpeace. O guia faz uma análise do que as 17 principais empresas de eletrônicos de consumo estão fazendo para resolver os impactos ambientais de seus negócios. O relatório leva em consideração três itens para dar uma nota final: energia (redução da emissão de gases do efeito estufa); consumo de recursos (design sustentável e uso de materiais reciclados); químicos (eliminação de químicos perigosos na fabricação e no produto).

"O potencial econômico da reciclagem do e-lixo é óbvio. O que precisamos agora é estabilizar o fluxo de produtos usados indo até os recicladores para darmos o pontapé inicial no ciclo. As marcas de eletrônicos gostam de ampliar as margens de lucro, e deveríamos incentivar os consumidores a reciclar os produtos não usados, e não simplesmente descartá-los ou guardá-los. Um ciclo de vida maior, incluindo reparos e projetos de produtos mais duráveis, também é importante", defende Ada Kong, gerente sênior do Greenpeace no leste da Ásia.

 

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