Quando foi a última vez que você se sentou em frente à televisão e começou a assistir a um filme ou a um programa pela metade? É capaz que você nem se lembre mais de como é a sensação de não escolher o que irá assistir - e isso é consequência direta do sucesso dos serviços de streaming. Segundo a Ampere Analysis, em 29 países a quantidade de assinantes das plataformas à la Netflix já ultrapassa o de usuários da TV por assinatura.

De fato, as vantagens dos streamings são várias: valores baixos, catálogos bem recheados, ausência de comerciais, tecnologia que permite assistir os conteúdos em qualquer lugar, entre outros. Mas nem tudo é perfeito. Com a chegada de cada vez mais opções, o mercado dá os primeiros sinais de saturamento e traz dúvidas quanto ao seu futuro.

Excesso de streamings e a saturação do mercado

A Netflix pode ter sido o primeiro streaming a fazer sucesso mundial, mas hoje ela está longe de ser a única no mercado. Concorrentes de peso como Amazon, Hulu, Disney e HBO são somente algumas das opções que começaram a conquistar o público e a previsão é que esse número só aumente.

De acordo com a Allied Market Research, o mercado global de transmissão online de conteúdo teve um faturamento de US$ 38 bilhões em 2018 e a aposta é que ele chegue a até US$ 150 bilhões até 2026. No entanto, enquanto o mercado vai de vento em popa, o consumidor se vê cada vez mais de volta a um dilema antigo: o alto valor a pagar por conteúdo.

Acontece que uma das principais propostas das plataformas de streaming é oferecer inúmeros conteúdos por um único valor, geralmente de até R$ 40 por mês, o que em um primeiro momento pode ser muito atraente. O problema é quando, de assinatura em assinatura, a conta no fim do mês se iguala a uma TV a cabo. No Brasil, a média de uma assinatura de TV a cabo é de R$ 100, o que significa que com dois ou três streamings esse valor já pode ser alcançado, podendo levar o público a repensar suas escolhas e optar pelos serviços mais baratos.

É aqui que entram novas estratégias dos negócios e também novas alternativas de serviços de streamings - que podem ser até gratuitos.

Futuro dos streamings: de parcerias a serviços gratuitos

Com um mercado tão valioso, não é surpresa que já existam soluções ou tendências  promissoras para contornar a saturação dos streamings. Confira as principais delas a seguir:

União faz a força: os tipos de parcerias

Uma das apostas para contornar o preço elevado da contratação individual dos streamings é a agregação de serviços. Em outras palavras, as assinaturas dessas plataformas são oferecidas em parcerias entre as próprias plataformas ou como vantagem de outros serviços.

Exemplos disso são a Disney+ e o Globoplay que se uniram para oferecer um pacote de R$ 37,90. De fato, vale a pena: enquanto a assinatura separada da Disney+ é de R$ 27,90, a do Globoplay é a partir de R$ 19,90, gerando uma vantagem de pelo menos R$ 10 por mês para o usuário. Apesar desse tipo de parceria ser mais raro, ela pode trazer muitas vantagens, principalmente se alguma das plataformas tiver uma base de usuários significativamente menor.

Mas essa não é a única forma de parceria que as empresas estão encontrando para contornar o valor elevado dos streamings. Oferecer esses serviços em pacotes de telefonia e até mesmo de televisão têm sido práticas muito comuns. Várias operadoras oferecem a assinatura de plataformas como a Netflix, mas elas não são as únicas com interesse nesse público. Empresas de outras áreas, como é o caso do Mercado Livre, já anunciaram parcerias com desconto em streamings como a Disney+.

Barato sai caro (ou não): os streamings gratuitos

Pode parecer brincadeira, mas a realidade é que existe streaming gratuito e não é um serviço pirata ou ilegal. Um exemplo é o da PlutoTV, plataforma que chegou ao Brasil não faz muito tempo e tem uma proposta bem diferente de suas concorrentes: totalmente gratuita e com comerciais e publicidade, com marcas como Mercado Livre e Unilever por trás.

Mas as diferenças não param por aí: com conteúdos de gigantes como Viacom e CBS, a PlutoTV tem sinais de ser um híbrido entre TV a cabo e streaming em termos de usabilidade. A plataforma oferece canais com conteúdos transmitidos ao vivo, ou seja, não é possível escolher o que será assistido, assim como canais de filmes e de programas sob demanda.

A Vix Cine e TV também vem com uma proposta similar, é um streaming gratuito e com comerciais que não podem ser pulados. Em relação ao conteúdo, ele promete um catálogo variado, ainda que atualmente seja escasso. Nele, o usuário poderá encontrar tanto originais (com vídeos de receita, maquiagem, entre outros) como também licenciados, como filmes, documentários e shows. 

O grande diferencial da PlutoTV e da Vix Cine e TV é que as chances deles passarem a cobrar são muito baixas exatamente por contar com anunciantes. No geral, é uma solução muito econômica para usuários e um formato interessante para possíveis concorrentes, especialmente empresas de TV a cabo que queiram sobreviver à era dos streamings.

Fica a questão: é mesmo o fim da TV como conhecemos?

Talvez sim. Segundo uma pesquisa do Survey Monkey sobre uso de TV a cabo, metade dos usuários que assiste somente esse formato tem mais de 60 anos, enquanto que no outro extremo mais de 27% dos respondentes entre 18 e 29 anos disse que prefere os serviços de streaming. Ainda assim, a TV tradicional tem chances de se reinventar para novos formatos e não cair completamente no esquecimento.

No caso específico da televisão a cabo, a opção mais viável para acompanhar os novos tempos é seguir os passos da HBO, que investiu nas plataformas HBO Go e HBO Max. Em outras palavras, apostar em um streaming para chamar de seu e investir mais do que nunca em conteúdos originais que atraiam o público.

Já se mencionarmos a televisão aberta, a chance de extinção é menor, mas não quer dizer que não será necessário sofrer adaptações. No caso, esse formato tem alguns pontos a seu favor. Um deles é o seu poder de influência e a possibilidade de falar com milhões de pessoas ao mesmo tempo. Outro é oferecer conteúdos ao vivo, algo que não é exclusivo da TV aberta mas que nela é mais frequente e que apela para a emoção do público.

De um jeito ou de outro, a televisão como conhecemos está mudando e não tem mais volta. Só nos resta sentar para assistir como essa história se desenrola.

O que você acha do futuro dos streamings? Esse formato, de fato, modificou o modo como você assiste televisão ou você é do time que já enxerga uma saturação no mercado? Enquanto o modelo não muda, não deixe de se divertir com o nosso cassino online!