Hoje, os jogos são uma das maiores indústrias do mundo, com receitas globais estimadas em US$152 bilhões só em 2019, e em constante crescimento. Foi-se o tempo em que eles eram sinônimo de gráficos ruins e demora no carregamento de tela - daquelas que você até levantava para ir ao banheiro. 

A concorrência acirrada fez com que a exigência fosse elevada para outro patamar, no qual vence quem fornecer a experiência mais imersiva possível, com cenários lindíssimos, som de alta qualidade e velocidade imbatível. Mas, apesar de inúmeros avanços, os videogames nunca foram capazes de se adaptar totalmente ao usuário, como, por exemplo, a seus sentimentos e reações... Até agora.

É aqui que entra a grande novidade da Valve Corporation, empresa de games responsável por sucessos como Counter Strike e Half Life. Segundo Gabe Newell, co-fundador, eles estão trabalhando junto com o OpenBCI, negócio que produz hardwares capazes de mapear a atividade do cérebro, para desenvolver um headphone que lê as ondas cerebrais do jogador durante a partida. Já imaginou o quão revolucionário isso pode ser para o mercado de games? Não? A gente explica!

O que muda?

Para explicar um pouco melhor, até hoje os jogos conseguem entender um pouco dos jogadores a partir de suas ações. Basicamente, essa situação é muito comum quando o jogador é obrigado a fazer escolhas - tanto de optar em seguir um trajeto ou outro como nas opções de diálogos oferecidas. Dependendo delas e do tipo de jogo, é possível alcançar finais diferentes. No entanto, essa opção ainda é limitada. Afinal, inúmeras pessoas com diferentes reações e estratégias acabam sendo restringidas a poucos cenários.

A tecnologia desenvolvida pela Valve e pela OpenBCI, no entanto, poderia mudar completamente essa realidade. Uma das mudanças mais significativas seria a possibilidade de adaptar a dificuldade de um jogo conforme a reação do jogador ou de acordo com a parte do cérebro que é ativada. Ou seja, não seria mais preciso escolher entre três opções (geralmente as clássicas modo fácil, médio e difícil), algo que sempre figurou como um limitador.

O desafio aqui seria balancear a dificuldade perfeitamente de acordo com o nível do jogador, uma vez que se for muito fácil o jogo fica chato e se for muito desafiador, ele desiste. Essa questão é mais complicada do que parece, já que não depende somente da experiência de cada um, mas também do seu comportamento dentro do ambiente virtual - que pode variar muito, inclusive de como a pessoa se comporta no mundo real. No entanto, se todos esses obstáculos forem vencidos e for possível oferecer um nível de jogo ideal, não são só os jogadores que ganhariam. Os fabricantes de jogos e consoles também se beneficiariam consideravelmente, pois a retenção do público seria muito maior.

Ao mesmo tempo, a personalização da experiência não ficaria só no nível da dificuldade. A novidade seria tão relevante quanto a revolução que foi a chegada da tecnologia Kinect, que permitiu o controle do jogo usando o próprio corpo. No entanto, ao invés de usar a mão para abrir uma porta, com esse headset o jogador seria capaz de fazê-lo com a força do pensamento.

Outra possibilidade é a de provocar sensações ilusórias em quem usa o hardware. A experiência promete ser tão imersiva, criando uma dinâmica cérebro-máquina direta, que pequenas coisas como o surgimento de objetos ou mudanças ao redor do jogador podem mexer bastante com ele.

Mas afinal de contas, como isso é possível?

Como funciona a novidade 

Falando em termos técnicos, a OpenBCI desenvolveu um hardware muito avançado que conecta eletroencefalografia (um monitoramento das ondas cerebrais) e um software, permitindo que eles sejam usados em um headset de realidade virtual. Traduzindo: com isso, a leitura da mente consegue ser feita por um aplicativo dentro do aparelho de realidade virtual usado pelo jogador. Isso permite que as reações de quem está usando o headset conectem-se à realidade virtual, fazendo uma leitura cerebral e oferecendo aqueles estímulos que já mencionamos diretamente no jogo em tempo real.

Aqui vale explicar também por que não é possível (pelo menos até agora) que essa novidade manipule sentimentos dos jogadores. No caso, nossos sentimentos são bem complexos e também estão ligados ao bem-estar mental e físico de cada um, o que está fora do alcance do aparelho. Além disso, provocar reações e pensamentos exigiria algo muito mais avançado, uma vez que seria preciso que essas máquinas entendessem a linguagem e a dinâmica do processo mental - algo que continua um mistério até mesmo para estudiosos da área.

Futuro dos games: é isso que nos espera?

Não há como afirmar que a tecnologia que está sendo desenvolvida pela Valve e a OpenBCI ditará o futuro dos games, mas se for bem sucedida, tem grandes chances. Isso porque uma das tendências mais certeiras e comentadas no mundo dos jogos é exatamente a aposta em experiências cada vez mais imersivas. Um grande indício disso foi a chegada e sucesso da realidade virtual, mas só o futuro dirá.

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