O filme Não Olhe para Cima (2021) estreou fazendo barulho. Não só o elenco é recheado de super estrelas, como Meryl Streep, Leonardo diCaprio, Jennifer Lawrence e mais, como o enredo traz questões e polêmicas que o mundo enfrenta hoje. Em poucas palavras, o longa conta sobre dois cientistas que descobrem que um asteróide está a caminho da Terra e poderá destruir o planeta. A partir daí, acompanhamos o desenrolar dessa notícia em um cenário tragicômico que se aproxima muito da nossa realidade.

Mas além dos desenvolvimentos políticos abordados no filme, muita gente que assistiu se perguntou: isso é possível? É plausível que um belo dia acordemos com a notícia de que um asteróide está em rota de colisão com a Terra, nos dando somente 6 meses para lidar com a situação?

Antes de tudo, vale dizer que por mais que se trate de uma ficção científica, o diretor Adam McKay quis que o filme se aproximasse ao máximo da realidade. Para isso, a astrônoma Dra. Amy Mainzer, ex-cientista sênior de pesquisa do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA e atual professora na Universidade do Arizona, foi consultada para o desenvolvimento da trama. Mainzer tem como especialidade asteroides e cometas que têm o potencial de fazer uma jornada em direção à Terra e, por mais aterrorizante que seja, já damos um spoiler: sim, a maioria das coisas pode sim acontecer. Mas vamos entender melhor como? Confira a seguir os detalhes:

O prazo de seis meses é plausível

Sim, pode ser que um dia a gente descubra que só tem mais seis meses antes da Terra ser destruída. Segundo a doutora Mainzer, esse prazo não foi escolhido aleatoriamente ou parte de liberdade poética para dar tempo de desenvolver a trama - ele é bem factível. No caso, ela disse que a escolha de um cometa de longo período foi parte do plano. Esse tipo de cometa vem do espaço profundo, o que faz com que seu tamanho e velocidade o possibilitem a chegar a Terra nesse tempo. Segundo ela: "Às vezes pode existir um prazo muito curto entre achar um desses objetos e ele se aproximar muito do Sol, porque eles se movem muito rápido. Já achamos um deles no final de março e no começo de julho ele já estava chegando muito próximo do Sol. Então, o período de seis meses desde a descoberta até o impacto é bem realista".

De fato, como há cientistas procurando esses corpos celestes incansavelmente todos os dias, as chances de encontrarmos algum com antecedência é grande.

Cometa versus asteróide

Se você é ligado em ciência, pode ter se perguntado por que o filme retrata um cometa vindo em direção à Terra e não um asteroide. Antes de entrar nos detalhes da decisão, vale diferenciarmos os dois. Um asteróide é um corpo cósmico que é muito comumente encontrado ao redor do Sol e entre as órbitas de Marte e Júpiter. Eles costumam ter formas irregulares e centenas de quilômetros, incendiando ao entrar em contato com a atmosfera da Terra. Em outras palavras, geralmente são eles que são retratados destruindo o planeta em filmes sobre o fim do mundo. Já o cometa é um corpo com uma atmosfera nebulosa e uma cauda característica feita de gases, gelo e poeira.

Segundo a doutora Maizner, o cometa é a melhor escolha para o filme por uma série de motivos. Um deles é que eles são feitos de materiais diferentes, o que impacta diretamente na velocidade que possuem e, nesse caso, os cometas tendem a ser muito mais velozes que os asteroides. Além disso, eles tendem a ser bem maiores e a combinação de peso e velocidade resulta em um cenário muito mais catastrófico e digno de um apocalipse na vida real. Ao mesmo tempo, vale deixar claro que, apesar de ser mais plausível que cometas acabem com a Terra do que asteroides, o acontecimento em si é improvável. O motivo é bem simples: o tamanho do nosso universo é tão grande que para ter um cometa vindo na direção da Terra é preciso muita sorte - ou melhor, azar.

O cometa do filme foi baseado em um real

Sabemos o porquê um cometa foi escolhido - sua velocidade e potencial destrutivo… mas o quanto o cometa que aparece do filme, com uma cauda que se estende de forma impressionante, é realmente verídico? Já respondemos: muito. Para se ter uma noção, o corpo que vemos se aproximando da Terra no longa foi modelado a partir de um cometa real. De acordo com a doutora Mainzer, o cometa original é conhecido como Neowise e foi descoberto em março de 2020 pelo Observatório da Terra da NASA. Assim como em Não Olhe para Cima, Neowise mede cerca de 5 km de diâmetro, mas diferente da sua cópia hollywoodiana, não poderemos vê-lo por um bom tempo, mais precisamente 6.800 anos.

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