Apesar de ser necessário, nem todo exame é lá muito confortável de se fazer e podem tirar a paz de alguns pacientes. A endoscopia e colonoscopia são alguns deles. Com o objetivo de investigar o interior de alguns dos nossos órgãos, ambos exigem que seja aplicada anestesia geral no paciente, por exemplo, o que não agrada muitos.

Além disso, muitos exames tradicionais não são capazes de coletar diversas informações de uma vez, o que faz com que seja necessário se submeter a vários procedimentos diferentes. Sejam exames incômodos ou a quantidade de procedimentos, o cenário está para mudar e a solução são pílulas inteligentes que prometem revolucionar a medicina.

Pílulas inteligentes: entenda o que são e principais iniciativas

O assunto ainda pode ser considerado novidade, mas a verdade é que existem várias iniciativas que buscam auxiliar a medicina com pílulas inteligentes. Uma delas, que inclusive já está mais avançada na área da saúde, é a PillCam COLON, que tem o foco de ajudar pacientes com dificuldade de fazer exames invasivos, tanto por questões anatômicas como por alguma doença ou pré-disposição. Ao contrário dos métodos tradicionais, não necessita de anestesia.

Tudo começa com a ingestão do dispositivo, que, como o próprio nome já diz, tem o tamanho de uma pílula normal e vem equipado com câmeras de vídeo minúsculas e quatro mini-LEDs que iluminam a filmagem. A cápsula permanece um total de oito horas no intestino e consegue gerar 21 mil imagens por hora, o que seria 2 a 6 fotos por segundo. No caso, a resolução das imagens não é muito alta, ficando com 320x320 pixels, mas consegue identificar lesões e sangramentos relacionados a doenças como anemia ou Crohn.

Outra iniciativa é a liderada por Kourosh Kalantar-zadeh, engenheiro em nanotecnologia que atua na Universidade RMIT, na Austrália. Ele criou cápsulas ingeríveis que tem o tamanho de uma pílula de vitamina e é composta de sensores que percorrem o sistema gastrointestinal do paciente. Com isso, o pequeno dispositivo consegue medir níveis de gás, pH, enzimas, temperatura, açúcar e pressão arterial do corpo, identificando possíveis transtornos. O diferencial aqui é que com apenas um exame o médico já consegue ter uma visão geral da saúde do paciente e este, por sua vez, não precisa se submeter a incontáveis procedimentos diferentes.

Apesar das pílulas inteligentes terem um futuro promissor para os exames médicos, elas também têm um caminho interessante na administração de medicamentos - por sinal, um que vai interessar muito os esquecidos de plantão. Pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) desenvolveram um tipo de comprimido que consegue se fixar na parede do sistema digestório e vai liberando seu conteúdo aos poucos, em um período que pode chegar até duas semanas. Isso é possível porque de um lado a pílula conta com um adesivo mucoso que gruda na parede do órgão e do outro ela tem um encapsulamento capaz de repelir alimentos e líquidos que poderiam tirá-la do lugar.

Com essa invenção, remédios que precisam ser tomados muitas vezes em um curto espaço de tempo, como os antibióticos, poderiam ser adaptados, diminuindo a frequência com a qual são ingeridos. No momento, a equipe também estuda como criar pílulas que sejam capazes de administrar remédios de longo prazo para doenças como HIV, tuberculose e malária, por exemplo.

Quando chega ao Brasil?

A princípio, os projetos liderados pela Universidade RMIT e pelo MIT ainda estão sendo testados e não foram aprovados para uso em laboratórios. A PillCam, no entanto, já está bem mais avançada nesse sentido.

Além de já ter sido aprovada pela Agência de Administração de Alimentação e Medicamentos nos Estados Unidos, o que faz com que ela já seja uma alternativa à colonoscopia, no Brasil o cenário é similar. No início deste ano, a pílula equipada com câmeras entrou como opção de procedimentos e exames da Agência Nacional de Saúde. Em outras palavras, não só a PillCam está disponível no Brasil, como o exame com ela é coberto pelos planos de saúde - sem custos para pacientes.

Segundo o Hospital 9 de Julho, de São Paulo, para realizar o exame com a PillCam é preciso estar em um jejum de oito horas e, depois de engolir a cápsula, um médico acomoda um mini-computador que fica na cintura do paciente e que receberá as imagens captadas. Depois, é possível realizar as atividades do dia normalmente até chegar o momento de devolver o dispositivo com as imagens ao laboratório e aguardar a avaliação do médico para um possível diagnóstico.

É preciso frisar que o hospital indica o procedimento para pacientes que tenham má formações arteriovenosas, tumor de delgado, polipose intestinal, íleo com sangramento ativo, entre outros que podem dificultar um exame tradicional. Além disso, ele não substituiria (pelo menos ainda) a endoscopia digestiva e a colonoscopia, entrando mais como um complemento.

Você tomaria uma pílula inteligente? É muita tecnologia. Enquanto estes tempos não chegam, você pode se divertir com o que já é realidade. acesse nossa página de slots online.