Já parou para pensar que cada vez mais nós dependemos da rede elétrica? Seja para acender lâmpadas, ligar eletrodomésticos, carregar celulares, computadores e até carros: o que não falta é uso para as tomadas. Não é à toa que elas são tão disputadas. No entanto, uma quebra de barreiras está para acontecer com toda a rede elétrica como conhecemos - e a tomada é só a ponta do iceberg.

No futuro a previsão é que a rede elétrica seja inteligente. Em outras palavras, praticamente tudo estará conectado à energia e termostatos inteligentes serão capazes de informar sobre o consumo de uma casa, como a quantidade de uso ou perda energética, por exemplo. Por sua vez, fontes de energia como painéis solares poderão avisar o quanto de carga dispõem e veículos e outros eletrônicos informarão onde estão carregando e quanto mais precisam. Nessa troca de dados, a rede se distribui de forma inteligente: quem tem energia armazenada dá para quem precisa mais, por exemplo.

Para ficar mais claro, a mudança principal nesse cenário é que enquanto hoje a eletricidade funciona de forma unilateral - a eletricidade é enviada em uma única direção (das usinas para as cidades) -, no futuro ela seria bilateral - as casas e empresas enviariam informações e eletricidade de volta para a rede. As vantagens da rede inteligente são inúmeras, pois se em algum lugar acabar a luz, por exemplo, outras fontes que estão com energia armazenada podem enviá-la pela rede, deixando de ficar dependente de um só lugar.

Por que precisamos de uma rede inteligente

Atualmente, nosso sistema de rede elétrica conta com algumas falhas que poderão entrar em conflito com um mundo cada vez mais conectado e sustentável. Uma delas está relacionada com energias limpas, como a eólica e a solar, que prometem se tornar as principais fontes de eletricidade no futuro.

A questão é que as redes que estamos acostumados foram feitas para aguentar um fluxo constante de energia, sem grandes mudanças. Para fornecer mais ou menos quantidade, é preciso que as usinas façam alterações de acordo com a demanda. Quando o assunto é energia eólica e solar, no entanto, o cenário muda drasticamente. Se o dia estiver com muito vento e sol, uma quantidade muito grande de energia será gerada e provavelmente desperdiçada, uma vez que as baterias para armazenamento não comportam o volume. É aqui que entra a novidade.

Nesse cenário, a rede elétrica inteligente conseguiria distribuir melhor o excesso de energia, direcionando para onde houvesse demanda e, assim, evitando desperdício e escassez. Esse movimento também se aplica a casos de apagões, pois com um gerenciamento melhor a rede estaria mais bem preparada para os momentos de pico de consumo, como ao final do dia quando as pessoas chegam em casa.

Além disso, a tendência crescente de veículos elétricos não seria comportada pela rede antiga, que poderia ficar sobrecarregada facilmente. Com uma rede inteligente, por sua vez, seria um grande sucesso e uma vitória para a sustentabilidade.

Outra vantagem é que a rede inteligente é capaz de identificar desperdício em excesso, conseguindo desviá-la de pontos que não estejam usando para outros que precisem - como, por exemplo, lugares que foram alvo de desastres naturais ou que estão em situações de emergência.

Principais ressalvas das redes inteligentes

Infelizmente, não há só vantagens. Com tudo conectado, surgem outros problemas, como a segurança e a tarifa. Na Flórida já ocorreu um caso de uma violação de segurança em uma estação de tratamento de água, no qual hackers tentaram aumentar a concentração de um produto químico para níveis tóxicos. Não é preciso nem dizer que com uma rede elétrica inteligente, qualquer brecha de segurança exporia milhões de pessoas.

Em relação às tarifas de energia, seria necessário alterações em como a conta é calculada. Segundo especialistas, as redes inteligentes precisariam se adaptar em tempo real às mudanças nas tarifas, o que pode gerar uma oscilação nas contas de eletricidade à qual as pessoas não estão acostumadas. A expectativa, no entanto, é que o valor seja mais vantajoso do que o cobrado atualmente. Mas até lá ainda há muito a ser feito.

O que falta para chegar?

A rede elétrica inteligente de fato é uma necessidade cada vez mais urgente e incentivos importantes em direção a ela começaram a ser tomados. Um deles é a meta estabelecida pelo presidente Joe Biden, que pretende até 2035 fazer com que o setor elétrico funcione 100% com energia limpa. Outro é que algumas cidades dos EUA já começaram a proibir conexões a gás, dando prioridade para as elétricas, e, a partir de 2035, a Califórnia decretou que será proibida a venda de veículos com combustão interna. Há algumas formas de atingir essas metas, mas com um espaço tão curto de tempo seria imprescindível uma rede inteligente.

Para isso se tornar realidade, já houveram alguns investimentos no exterior. Nos EUA, mais de 11 bilhões de dólares foram investidos para o desenvolvimento de redes inteligentes. Com isso, foram adotados medidores inteligentes que avisam às concessionárias a quantidade de energia que cada casa usa, substituindo os medidores normais que exigiam que um profissional fosse fazer a leitura em cada residência.

Recentemente, um conselho consultivo formado por representantes de grupos trabalhistas, ambientais, serviços públicos e empresas de tecnologia norte-americanos começou a exigir um investimento de mais 50 bilhões na empreitada - o que possibilitaria a instalação de sensores, controles e outros equipamentos que permitam analisar e cobrir a demanda de energia. Sem dúvida, é apenas o começo.

Para desenvolver uma rede inteligente completa, o investimento teria que ser muito maior. Segundo um relatório do Electric Power Institute, de 2011, seria necessário 476 bilhões de dólares investidos ao longo de 20 anos para atualizar e modernizar totalmente a rede. Pelo visto, ainda teremos que esperar alguns anos.

O que achou das redes inteligentes? Enquanto elas não se tornam realidade, você pode aproveitar o que já existe: visite a nossa página de Cassino Online e divirta-se!