Sabia que Amy Winehouse, Nirvana e Jimi Hendrix lançaram algumas músicas nos últimos meses (e com isso queremos dizer de janeiro para cá)? Pode parecer loucura, mas não é… pelo menos não exatamente. Duas delas são Drowned in the Sun, do Nirvana, e Man I Know, de Amy Winehouse. Mas antes que você possa criar alguma teoria da conspiração sobre os artistas terem forjado a própria morte, saiba que não há nada disso. Infelizmente, eles realmente nos deixaram, mas com ajuda da inteligência artificial é possível ouvir músicas novas - em melodias, letras e estilos extremamente similares aos originais. Ficou confuso? Entenda melhor a seguir!

Inteligência artificial… ou musical?

Se você não tem familiaridade com o tema, vale entender um pouco sobre como essa tecnologia funciona. Antes de tudo, é preciso saber que a inteligência artificial tem uma capacidade de processamento muito grande, sendo capaz de aprender por meio de uma quantidade considerável de informação. Em outras palavras, a partir de inúmeras análises de um banco de dados (quanto maior melhor), uma máquina pode entender como solucionar problemas sozinha ou até criar coisas, reproduzindo um padrão que ela consiga identificar.

Indo ao que interessa: essa mesma tecnologia foi peça chave em um projeto conhecido como The Lost Tapes of 27 Club (em tradução literal: As Gravações Perdidas do Clube dos 27). Basicamente, ele criou um álbum com quatro músicas que replicam estilos musicais das bandas Nirvana e The Doors e dos artistas Jimi Hendrix e Amy Winehouse, todas feitas a partir de inteligência artificial. Para chegar a esse resultado, foram preciso três etapas.

A primeira foi reunir em um banco de dados arquivos em MIDI nos quais as melodias, ritmos e letras dos artistas estivessem separadas. Dessa forma, a máquina seria capaz de entender o estilo de cada um - assim como seus padrões. Já no segundo passo, a tecnologia começou a usar o conhecimento adquirido para criar melodias, ritmos e letras para cada obra que estudou, tentando reproduzir a técnica da banda, por exemplo. Na terceira e última etapa, uma equipe de engenheiros de som trabalhou para analisar a criação da máquina e organizá-la em músicas que fizessem sentido.

Dando um exemplo: o resultado do trabalho feito em cima do Nirvana foi a canção Drowned in the Sun. Para fazê-la, a inteligência artificial, que foi baseada no sistema Magenta AI da Google, analisou 30 músicas da banda, dando atenção especial para riffs de guitarra, harmonias, solos, ritmo da bateria, alteração de acordes e as letras.

No entanto, vale dizer que essas três etapas não foram de fato suficientes. Afinal, apesar de ficar responsável por quase tudo - melodia, letras, ritmo - as máquinas ainda são incapazes de cantar. Pois é: apesar de toda a tecnologia, a inteligência artificial ainda não chegou lá quando o assunto é um bom gogó. Exatamente por causa disso que, para interpretar as músicas, bandas e artistas que prestam tributos aos ídolos foram convocados.

Para gravar a música do Nirvana, por exemplo, o cantor Eric Hogan, que fica à frente do grupo Nevermind: The Ultimate Tribute to Nirvana, teve a missão de cantar a nova composição como o próprio Kurt Cobain o faria - uma responsabilidade e tanto. Com apenas algumas diretrizes, letras e uma melodia, o cantor desenvolveu a interpretação que considerava mais próxima do conjunto de obra da banda e soltou a voz.

O projeto e a mensagem por trás das músicas

Para os fãs dos artistas que foram “revividos” pelo projeto, talvez ouvir as músicas possa ser um pouco frustrante - não só porque o canal oficial tirou as músicas do ar, mas também por causa do resultado final. Ao mesmo tempo em que são bizarramente parecidas com as obras originais dos artistas, as músicas também são diferentes do que já ouvimos deles.

É inegável, no entanto, que elas relembram trabalhos que foram interrompidos e evocam a curiosidade sobre qual teria sido o futuro dos músicos e suas criações… e é exatamente esse o objetivo do projeto The Lost Tapes of 27 Club.

O projeto The Lost Tapes of 27 Club foi criado pela organização Over The Bridge, focada em ajudar jovens artistas que estão passando por problemas relacionados à saúde mental. Segundo os responsáveis, 71% dos músicos no Canadá sofreram de ansiedade e ataques de pânico e 68% tiveram depressão. No geral, a indústria da música tem duas vezes mais casos de tentativas de suicídio do que as outras.

Foi com base nesse objetivo que foram escolhidos os artistas para o projeto, uma vez que eles faleceram aos 27 anos por motivos variados, mas relacionados à depressão ou problemas de saúde mental.

Aprovou o projeto e as novas músicas? Bem divertido, não? Por falar em diversão, você também pode aproveitar para conhecer nossa página de Blackjack online. Confira!