Apesar da dublagem brasileira ser considerada uma das melhores do mundo, ainda há muita gente que não gosta de assistir filmes e séries sem ser no áudio original. Muitas vezes, o motivo não é o áudio em si, mas sim a sincronização. No caso, por melhor que seja o trabalho da dublagem, é praticamente impossível encaixar palavras de idiomas diferentes no movimento da boca dos seus atores… pelo menos até hoje.

Com o avanço da tecnologia, o que antes parecia impossível está se tornando realidade. Em outras palavras, já é possível fazer uma dublagem e adaptar o rosto dos atores para ficar de acordo com elas - tudo sem interferir na atuação do artista. O nome da ferramenta é deepfake e se você acha que já ouviu esse nome por aí é porque ela já deu muito o que falar. Ficou curioso como isso funciona? A gente explica a seguir!

Deepfake: o que é?

O deepfake é uma tecnologia que utiliza inteligência artificial para criar vídeos praticamente idênticos à realidade, mas que no fundo são falsos. Ou seja, você pode jurar que nas imagens é alguém conhecido, mas pode ser que a pessoa em questão nunca tenha feito aquilo na vida real. Esse recurso já deu muito o que falar com vídeos falsos de celebridades em conteúdos pornográficos a apresentações de políticos de grandes nações.

O deepfake funciona da seguinte forma: por meio de softwares que utilizam como principal recurso o aprendizado de máquina (ou machine learning, um tipo de inteligência artificial), é possível processar milhares de fotos e vídeos da pessoa que será introduzida no vídeo por uma rede neural. Nessa etapa, o computador será capaz de entender a estrutura daquele rosto, sua proporção, características, como se movimenta, entre outros.

A partir daí é feito um encaixe do rosto a ser aplicado no que já existe no vídeo e cabe à máquina entender os pontos em comum para conseguir fazer a substituição. No caso, é como se o programa recebesse a imagem da pessoa original do vídeo mas processasse como se fosse a que está sendo inserida.

Como é de se imaginar, a tecnologia já despertou inúmeras discussões sobre seu uso, assim como quais seriam seus limites. Mas enquanto a tecnologia pode ser perigosa por um lado, por outro ela pode ter fins muito úteis, como é o caso da dublagem.

Deepfake na dublagem

Entendendo a oportunidade que o deepfake poderia trazer para a indústria do cinema, a empresa Flawless criou um software chamado TrueSync, focado em sincronizar a boca dos atores com a dublagem. Seu funcionamento é praticamente igual ao descrito acima: por meio do aprendizado de máquina, o programa estuda os movimentos da boca na outra língua e, em seguida, as encaixa no rosto do ator. Além disso, também são levadas em consideração as emoções e expressões da atuação original para não alterar o conteúdo final. O foco é fazer com que o trabalho final seja o mais fiel possível ao original, alterando somente a língua para que seja compreendido em outros países.

Ainda não há um filme inteiro dublado com a tecnologia, mas já podemos ter uma prévia do projeto com alguns trechos onde o deepfake foi aplicado. No canal do Vimeo da Flawless é possível conferir cenas de clássicos como Questão de Honra (1992), no qual Jack Nicholson e Tom Cruise falam um perfeito francês enquanto Tom Hanks se reveza entre japonês e espanhol em Forrest Gump (1994). Confira aqui.

Não é novidade: o deepfake no cinema

Talvez toda essa história de deepfake possa soar como novidade, mas na verdade a tecnologia já fez sua estreia há algum tempo no cinema. O mais comentado até agora foi do filme Rogue One: Uma História Star Wars (2016), no qual a Disney utilizou um programa com uma tecnologia muito próxima ao deepfake que conseguiu dar vida a dois atores com suas aparências de 1977.

Com ajuda de dublês de corpo e áudios originais do primeiro filme da saga, foi possível recriar Carrie Fisher beirando 21 anos depois de 40 anos que as cenas tinham sido gravadas. Outro caso foi do ator Peter Cushing, que graças à tecnologia ganhou vida nas telas mais de 20 anos depois de sua morte. Mas esse caso não acabou por aí.

O que já foi impressionante em 2016 com o lançamento do filme tornou-se ainda mais impactante hoje. No ano passado, uma nova versão das cenas em que Cushing e Fisher aparecem foram disponibilizadas online de forma independente pelo canal Shamook e é possível jurar que são os atores de verdade ao invés do trabalho de inteligência artificial. Confira aqui.

Com o deepfake você ainda assistiria filmes legendados? Enquanto essa novidade não chega, que tal se divertir no nosso Cassino Online?