Mesmo com todas as possibilidades de streaming e tecnologias, o ato de ir ao cinema, ainda é uma experiência da qual muitos não abrem mão. Envolve memória afetiva, envolve experiência, envolve emoção. 

Mas os cinemas nem sempre foram formatados nos moldes como conhecemos hoje, com as grandes redes ocupando majoritariamente as salas espalhadas por todo país. Existiam os charmosos cinemas de rua - que timidamente ainda possuem alguma expressão - e os cinemas drive-in - que espantem - voltou com tudo em 2020.

Os cinemas drive-in eram muito populares nos Estados Unidos na década de 1960. No Brasil, seu prestígio chegou por volta dos anos 1970. O interessante é justamente esse caráter de diversão nostálgica que o cine drive-in adquire nos dias de hoje, um charme propiciado por um certo ar vintage. 

Para gerações mais jovens, trata-se provavelmente de um modelo só visto em produções de época: um pátio aberto cheio de carros estacionados, com a tela grande à frente e os espectadores encerrados nos veículos, sintonizando o som do filme pelo rádio.

Os drive-ins ganharam novos espaços e recuperaram sua popularidade em países como Estados Unidos, Alemanha e Coreia do Sul. Seguindo a tendência internacional, iniciativas do tipo têm pipocado em cidades brasileiras.

Cinemas drive-in no Brasil

Inaugurado em 1973 e considerado até recentemente o último estabelecimento do tipo em funcionamento no Brasil, o Cine Drive-In de Brasília chegou a suspender suas atividades em abril devido ao contexto que o mundo passava. Em maio, no entanto, o estabelecimento reabriu e se tornou um dos dois cinemas do gênero responsáveis pela quase totalidade (98,8%) da bilheteria arrecadada no país entre 21 e 24 de maio.

Desde junho, o pátio do Memorial da América Latina, em São Paulo, passou a abrigar o Belas Artes Autorama Drive-in. As sessões no Memorial foram idealizadas pelo cinema de rua Petra Belas Artes. A inauguração do Belas Artes Autorama Drive-in exibiu o clássico “Apocalypse now” (1979), de Francis Ford Coppola. 

No início de maio, a rede Cinesystem, em parceria com um shopping na Praia Grande, litoral paulista, já havia realizado sessões do tipo no estacionamento externo do estabelecimento.

O Cinesystem Litoral Plaza Drive-In foi um sucesso de público de primeira hora – 40 veículos na primeira exibição e lotação máxima, de 60 carros, na segunda –, o que motivou a ampliação do número de sessões para três por dia aos fins de semana. Foram exibidos “Nasce uma estrela” (2018), de Bradley Cooper, e “Maria e João: O conto das bruxas” (2020), de Rob Hayes. O valor do ingresso por pessoa é de R$ 15.

No Rio de Janeiro, o LoveCine Drive-in, instalado na Jeunesse Arena, na Barra da Tijuca, é outra iniciativa do tipo.

Drive-ins também começaram a funcionar desde maio nas cidades de Uruguaiana (RS) e Curitiba (PR), no sul do país, segundo o site Filme B. Outros parques de exibição a céu aberto, instalados em estacionamentos de shopping e outros espaços, devem ser inaugurados em breve em cidades brasileiras.

A origem dos cinemas drive-in

A exibição de filmes em espaços abertos para espectadores motorizados surgiu nos EUA em 1933, na cidade de Camden, em Nova Jersey. A invenção do primeiro cinema nesses moldes, originalmente chamado de Park-In Theater, é atribuída a Richard Hollingshead (1900-1975), então gerente de vendas da empresa de autopeças de seu pai.

A invenção teria sido inspirada por reclamações de sua mãe, que não se sentia confortável nas poltronas de cinema convencionais. Hollingshead começou a realizar testes na garagem de casa, com técnicas de projeção e som que tornassem possível a realização de sessões ao ar livre, em que espectadores pudessem assistir a filmes de dentro de seus veículos.

Ele chegou a patentear o conceito em 1933 e fundou a empresa Park-In Theaters Inc., que anunciava a ideia como fonte de diversão para toda a família.

Mas foi no pós-guerra, após a patente de Hollingshead ser revogada em 1949, que os cinemas drive-in alcançaram seu auge nos EUA. A popularização dos alto falantes internos em carros na década de 1940 também contribuiu para esse processo, melhorando a qualidade do áudio das projeções, ao permitir que cada espectador sintonizasse o som do filme em seu equipamento de rádio.

Atraindo tipicamente não apenas famílias mas também jovens casais, eles se tornaram um ícone da cultura norte-americana da década de 1950 a meados dos anos 1960, quando o número de drive-ins nos Estados Unidos ultrapassou os 4 mil.

Quanto à programação, os drive-ins muitas vezes exibiam “filmes B” e até eróticos, ficando com uma espécie de segundo escalão dos lançamentos. As salas de cinema costumavam ter preferência em relação à distribuição dos principais títulos, por terem em geral capacidade de exibir mais filmes e programar mais sessões de um filme em um único dia. 

O aumento do preço da terra nos arredores das cidades americanas, onde muitos desses cinemas estavam instalados, é visto como um dos principais fatores que levaram ao declínio do modelo, que teve início na década de 1970 e se intensificou dos anos 1980 em diante. Essa valorização dos terrenos, impulsionada pela expansão das cidades, também ocorreu em outros países do mundo para onde os drive-ins haviam se espalhado.

A competição da televisão, com as locadoras, também participaram do processo. Os drive-ins remanescentes nos EUA ficaram reduzidos a algumas centenas nos anos 2000.

É difícil prever o futuro do cinema, principalmente dos drive-ins, mas certamente ele sempre continuará existindo, nem que para o um público mais restrito e apaixonado. O que podemos afirmar é que por muitas vezes a morte do cinema já foi anunciada: quando surgiu a televisão, quando apareceu o vídeo, com o advento da internet e das novas mídias. E que, sempre, o cinema continuou existindo. E certamente continuará, ainda, por muito tempo.
Cinemas drive-in voltaram com tudo. Será que o modelo perdura ou é só uma manifestação diante do contexto que vivemos? De um jeito ou de outro, é sempre uma ótima pedida. Não deixe de se divertir com o nosso cassino online.