Se você já assistiu Wall-E, filme da Disney que ganhou o Oscar de Melhor Filme de Animação em 2009, deve se lembrar que o protagonista é um robô para lá de fofo e que, além de olhos pidões, ele também tem duas rodas para se locomover enquanto compacta o lixo do planeta. Na maioria dos momentos, o robozinho se vira bem indo de um lado para o outro, mas nem sempre é o caso... E essa é uma das grandes questões da NASA.

Assim como Wall-E, os robôs enviados para Marte - desde o rover Sojourney, que chegou lá em 1997, até o Perseverance, que pousou em fevereiro - têm uma única forma de locomoção: rodas. A explicação para isso é simples, pois rolar tem mais taxas de sucesso do que andar, uma vez que cai menos e também gasta menos energia.

SpaceBok: o primeiro passo para um robô andar no espaço

No entanto, tudo tem um limite. Até hoje, as rodas foram a forma mais utilizada por ser a mais segura, mas elas também limitam consideravelmente a exploração do planeta vermelho. Terrenos com colinas íngremes ou com muitas rochas e obstáculos seguem sem uma visita sequer dos robôs, que precisariam de pernas para chegar lá. Exatamente por causa disso, cientistas da ETH Zurich, na Suíça, e do Instituto Max Planck para Pesquisa do Sistema Solar, na Alemanha, estão investindo em robôs quadrúpedes - mais precisamente no SpaceBok, projetado para imitar o antílope cabra-de-leque.

A cabra-de-leque recebeu esse nome porque é conhecida por saltar nas quatro patas ao mesmo tempo, como se tivesse molas em cada pé. É exatamente por causa disso que os cientistas se inspiraram no animal, já que inicialmente o SpaceBok foi pensado para conseguir pular em Marte, quase como os astronautas fizeram na Lua. A ideia não vingou, porque ao contrário do nosso satélite natural, o solo de Marte é bem mais traiçoeiro, com buracos, pedras e areia, o que dificultaria o pouso do salto.

O jeito foi apostar em novos experimentos, nos quais o SpaceBok teria movimentos mais similares ao nosso andar. Aqui, no entanto, entraram duas formas de testar o robô. Uma foi como uma marcha mais estática, na qual pelo menos três membros estão em contato com o solo, e outra dinâmica, na qual mais de um membro pode sair do solo ao mesmo tempo. No caso, o segundo é mais eficiente que o primeiro, já que seria mais rápido.

Mas essas não foram as únicas alternativas. O melhor formato do pé também entrou nas hipóteses e duas foram testadas. Uma era similar ao casco de uma gazela, mais pontudo e com uma área de superfície menor. A segunda era plana, como dois discos com um mecanismo que ajuda o pé a fixar no solo. Para testar esses cenários diversos, os cientistas fizeram com que os robôs andassem em uma caixa de areia inclinada a 25 graus enquanto monitoravam o gasto energético de cada um. O resultado foi animador.

Tanto com os pés chatos como com os pontudos o robô teve um bom desempenho no teste, ao contrário do esperado. No caso dos discos, o robô ficou em pé em cima da areia sem problemas, já os pontudos fincaram na areia, formando uma espécie de âncora e proveram uma postura consideravelmente estável.

Vale lembrar que o solo simulado no teste não chega a ser tão imprevisível como na realidade - em especial a realidade marciana. Em Marte, é possível que em meio à areia tenham pedras escondidas ou rochas enterradas que o robô não conseguiria identificar e poderia cair. Nesse caso, o pé plano, apesar de mais lento, teria uma chance maior de passar por obstáculos.

Já em relação aos tipos de locomoção, a marcha estática provia mais segurança, mas também era menos eficiente. Enquanto que a dinâmica é mais instável mas muito mais veloz. A explicação é que na versão em que mais de um membro sai do chão ao mesmo tempo, o robô precisa de menos energia para sustentar e empurrar o corpo adiante; já com mais apoios, é preciso de mais energia.

O futuro do SpaceBok

No futuro, os planos são que o SpaceBok seja capaz de mudar as marchas, assim como a forma de seus pés. Nesse cenário, seria possível adaptar suas configurações de acordo com o terreno - em uma planície sendo mais rápido e eficiente e, em subidas, mais cauteloso e gastando mais energia.

Em outras palavras, há grandes chances do SpaceBok ser o primeiro rover a explorar áreas que ainda são um mistério, trazendo uma grande contribuição ao estudo do planeta. Para se ter uma noção do impacto, robôs que andam poderiam acessar terrenos arenosos e crateras, nas quais é certo que já existiram lagos antigos, o que, por sua vez, poderá trazer grandes descobertas sobre vida em Marte.

Mas e os rovers? Os fãs de Wall-E podem ficar tranquilos: essas novidades não significam que robôs com pernas substituiriam o modelo tradicional usado hojenas missões. Pelo contrário, o SpaceBok chegaria como uma adição à equipe de máquinas espaciais, expandindo as possibilidades de explorações.

Gostou do SpaceBok? Você também pode gostar da nossa página de Blackjack online e, com isso, divertir-se. Acesse!