Poucos jogadores representam mais uma geração de basquete que Alex Garcia. Aos 41 anos, são duas décadas dedicadas à seleção brasileira. No currículo, dois times da NBA, duas Olimpíadas disputadas, Mundiais, Pan-americanos, títulos. Muita alegria, mas decepções também.

Claro que, nas últimas décadas, o Brasil não é favorito em nenhuma casa de aposta. Mas é inegável que a geração que contou com Leandrinho, Anderson Varejão, Nenê Hilário, Thiago Splitter e o próprio Alex, era extremamente talentosa. Não para ganhar uma Olimpíada, mas com certeza a seleção brasileira tinha qualidade para passar da fase de grupos no Rio em 2016, por exemplo.

Na entrevista abaixo, Alex fala que foram os detalhes que acabaram definindo algumas eliminações. Uma escolha errada no momento de pressão, uma tomada de decisão precipitada. E assim, foram muitas decepções, muitas frustações. Aquele sentimento de “agora vai” do torcedor brasileiro, sendo sempre seguido por “não acredito que eu deixei a seleção me iludir de novo”.

Alex escolhe o Sul-Americano de 2011 em Mar Del Plata, na Argentina, como o momento mais feliz de sua carreira. Foi lá que o basquete masculino brasileiro garantiu o retorno aos jogos olímpicos depois de 16 anos. Um jogador que defendeu o gigante San Antonio Spurs e o New Orlean Hornets, na liga mais importante e assistida do mundo, escolhendo o pré-olímpico como o ápice de sua carreira, mostra como a seleção é importante para ele.

E agora Alex terá a chance de disputar sua terceira (e provavelmente última) olimpíada. Mas a tarefa, só para variar, não será fácil. O pré-olímpico tem a forte Croácia, seleção dona da casa, no mesmo grupo. A Tunísia, teoricamente menos complicada, completa a chave. No outro grupo, Alemanha, Rússia e México. Alex não esconde que os principais adversários são Croácia, Alemanha e Rússia. Lembrando que só o campeão do torneio ganha a vaga em Tóquio.

O ala de 41 anos defende também o trabalho de renovação que o técnico croata Aleksandar Petrovic vem fazendo, antes mesmo do ciclo olímpico acabar. Nomes como Yago, Didi, Caio Pacheco e Georginho têm sido presenças constantes nas convocações: “A mescla é o ideal. Principalmente sabendo a pressão que será na Croácia. Bom ter o talento dos jovens junto com a experiência de quem já passou por essas situações”.

Seja qual for o resultado na Croácia, não há como negar que a carreira de Alex, tanto em clubes quanto na seleção, foi um sucesso: “Sou muito feliz e grato pelo que o basquete me deu. Tenho muito mais alegrias do que coisas ruins, isso é muito importante”.